Indústria química
presta suas contas
São Paulo, 27 de Setembro de 2002
- Abiquim divulga relatório sobre dez anos de vida do programa
Atuação Responsável. Na contramão de um desempenho econômico-financeiro
desfavorável, no ano passado, com queda de 12% no faturamento líquido
acumulado em dólar quando comparado ao período de 2000, a indústria
química brasileira, comemora agora o saldo positivo em meio
ambiente, saúde ocupacional e segurança. Isto é o que aponta o
recém-fechado balanço de Atuação Responsável, produzido pela
Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). O
documento, com números acumulados até 2001, vai ser apresentado
no 6 º Congresso de Atuação Responsável, em São Paulo. O
evento que acontecerá entre os dias 1º e 3 de outubro, marca os
10 anos do programa.
Lixo perigoso
Os números do balanço foram
coletados junto a 112 associadas da Abiquim e representam a
totalidade das empresas que deveriam informar os seus dados. Eles
são animadores na área de proteção ambiental e mostram redução
nas emissões e gerações de poluentes e também nos acidentes
com cargas perigosas, em especial nos últimos três anos, quando
as empresas geraram, por exemplo, uma quantidade menor de resíduos.
De 2000 para 2001, a queda na produção de lixo perigoso e não
perigoso foi de 12,28 kg/t por produto para 10,11 kg/t. Em 2001, a
produção total de resíduos foi de 328.265 toneladas.
Também houve redução no volume
dos descartes de efluentes líquidos, que passou de 3,15 metros cúbicos,
em 2000, para 3,05 metros cúbicos, no ano passado. Os acidentes
no transporte com vazamento de carga caíram de 133 no ano 2000
para 129, em 2001. "Os números mostram um avanço não só
na proteção ambiental, mas também com a segurança e saúde",
diz o gerente-técnico da Abiquim, Marcelo Kós Silveira Campos.
Compromisso obrigatório
Segundo ele, o compromisso com a
atuação responsável é obrigatório às empresas que se
associam à Abiquim. São 161 indústrias associadas. Juntas, elas
representam 85% do faturamento do setor químico que no ano
passado foi de US$ 38,3 bilhões. Na moeda brasileira a área química
faturou R$ 90 bilhões, em 2001, o que representa um crescimento
em Real de 13%. As indústrias representam cerca de 3,5% do
Produto Interno Bruto (PIB).
Campos cita que os números da taxa
de freqüência de acidentes com afastamento de funcionários próprios
e contratados permitem uma comparação com países desenvolvidos
como os Estados Unidos e o Canadá. A taxa de acidentes, em 2001,
por 100 mil trabalhadores foi de 2,48, contra 3,65 no ano 2000.
"São números melhores do que a Alemanha, França,
Inglaterra, Espanha e Suíça", afirma.
Para ele, as informações do balanço
de Atuação Responsável são o contraponto da imagem gerada
junto a sociedade de que o setor é um grande poluidor do meio
ambiente. Em primeiro lugar por conta da poluição causada pelos
rejeitos dos processos. Depois, por conta da poluição gerada
pelo uso de produtos químicos, como por exemplo os agrotóxicos.
"Somos o segundo em participação no PIB no setor industrial
e um dos poucos senão os únicos a abrir os seus dados",
afirma Campos.
Ele lembra que os balanços são
disponibilizados na Internet (www.abiquim.com.br). A transparência
na apresentação dos dados, informa Campos, mostra que as
industrias químicas não têm o que esconder da sociedade. Em
breve, as empresas vão expor na rede mundial de computadores os
seus dados individualizados. Primeiro, serão cerca de oito indústrias.
Em seis ou sete meses, o número deve subir para quase a
totalidade das associadas.
O diretor da Abiquim, membro da
Comissão executiva do Atuação Responsável e diretor
superintendente da empresa Akzo Nobel – Divisão Química,
Antonio Rollo, diz que o compromisso das empresas com o programa não
são atrelados a questão financeira. "A atuação das
empresas hoje é mais consciente", afirma.
Em 2001, a indústria química,
segundo setor que mais exporta no Brasil, registrou déficit de
cerca de US$ 7,5 bilhões. No setor farmacêutico o déficit foi
de US$ 1,25 bilhão. Um dos maiores problemas que a área química
não consegue resolver é o do baixo valor da produção local.
Uma década de programa
O programa Atuação Responsável
nasceu a partir de iniciativas no mesmo sentido surgidas nos
Estados Unidos e Canadá e por conta da Conferência Mundial do
Meio Ambiente, ocorrida no Rio de Janeiro em 1992, a Rio 92. Entre
os seus objetivos está a cooperação para solucionar os
problemas causados por impactos negativos ao meio ambiente
decorrentes da disposição ocorridas no passado, orientação de
fornecedores, distribuidores, consumidores e o público em geral
para que transportem, armazenem, usem, reciclem e descartem os
seus produtos com segurança.
Gestão de produtos
O Atuação Responsável busca
ainda a redução de resíduos, efluentes e emissões. O relatório
que será apresentado na próxima semana é o segundo produzido após
a criação do programa.
Os desafios nos próximos dois
anos, diz Campos, são ligados a maneira como se fará a gestão
dos produtos químicos.
"O objetivo é garantir a
sociedade que os produtos não afetam a saúde e ao meio
ambiente", diz. Outro avanço citado se refere aos passivos,
gerados principalmente na década de 70. Segundo Campos, existe
uma negociação em curso e em fase de finalização com a
Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São
Paulo (Cetesb), para acabar com esses passivos.