Um rosé do sul da França


      Bloomberg, 27 de Setembro de 2002 - Um rosé do sul da França é, por excelência, um dos vinhos a serem consumidos na primavera ou no verão - do tipo que você bebe enquanto está descansando em uma rede ou, melhor ainda, sentado a uma mesa de frente para o mar.

      As pessoas que gostam de rosés saborearam neste verão europeu, na Côte d’Azur, vinhos de uma cor que variava do coral pálido ao escarlate brilhante, a maioria deles com sedutores aromas de morango e cereja e um sabor muito seco frutuoso e picante. Estes vinhos são tão deliciosos, que não gostaria de passar um verão sem saboreá-los.

      A boa notícia é que os rosés do sul da França nunca estiveram tão bons. Todos aqueles Zinfandels brancos da Califórnia, produzidos em massa, adocicados como goma de mascar, e os portugueses frisantes e pegajosos convenceram muita gente de que todos os vinhos cor-de-rosa são como refrigerantes ligeiramente alcoólicos. E, na verdade, algumas partes da França produziam quantidades de misturas de vinhos rosados medíocres que não viajam muito bem: a garrafa que parecia fabulosa em um romântico piquenique na fabulosa praia em St.-Tropez não tem o mesmo gosto quando adquirida na loja de vinhos superaquecida na esquina perto de casa.

      Isto está mudando. Nos últimos dez anos, novos produtores, novas áreas e novas filosofias de produção vinícola, juntamente com novos investimentos externos, resultaram em rosés distintos, de estilo, que viajam muito melhor. É claro que alguma pessoas provavelmente ainda fabricam rosé misturando um pouco de vinho tinto a um branco, mas os melhores são produzidos retirando-se o suco dos bagos vermelhos esmagados depois que a maceração com as cascas, que define a cor, extraiu um tom exatamente suficiente e aquele pouco de sabor extra.

      Os fabricantes de vinho dispõem de muitas variedades de uvas para fazer estes rosés. Todos os rosés são uma mistura de pelo menos duas variedades de uvas, e em geral mais, em proporções diferentes, dependendo da região, da vinícola e também do fabricante. Estas também estão mudando.

      Grenache, Cinsaut, Mourvèdre e Tibouren - esta última, uma uva provençal antiga que contribui com um delicado sabor e com o aroma de morangos e melão - são as mais comuns. Em muitas regiões, os fabricantes usam Cabernet Sauvignon e Syrah, consideradas variedades que estão melhorando, para fazer vinhos com novos sabores e vigor persistente.

      A Provence, inundada pelo sol e olorosa de alfazema, é a maior região produtora de rosés do sul da França. Seus vinhos delicados, que combinam a vivacidade do branco com o sabor do tinto, são o acompanhamento ideal do alho picante, das ervas aromáticas, das azeitonas penetrantes e das anchovas salgadas da cozinha local - e de todos os peixes arrancados do Mediterrâneo.

      Na pequena denominação de Bandol, uma grande proporção das uvas Mourvèdre confere aos vinhos uma maior fragrância e uma personalidade aromática e picante. Os rosés da ampla região Côtes de Provence tendem a ser leves, frescos, vibrantes, frutados e menos caros.

      A região mais famosa do rosé é o Tavel, logo ao norte de Avignon, no sul do Vale do Ródano. Esta região histórica produz exclusivamente rosés. De estilo completamente seco, em geral mais frutuosos e mais encorpados do que os mais próximos do Mediterrâneo, os rosés do Tavel têm os aromas mais audaciosos, de alto teor alcoólico e muita profundidade. Sua fama se traduz em preços mais altos, às vezes mais altos do que mereceriam. Mas, e daí? Abrir uma garrafa é a viagem mais barata para o sul da França que você jamais poderá fazer.

 
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