Os vinhos brancos italianos da uva Pinot 

  Setembro de 2002 - Nos Estados Unidos, os vinhos brancos italianos da uva Pinot Grigio são a febre do momento. Recentemente alcançaram o posto de primeiro lugar entre os importados naquele país, com cerca de 12% do mercado, o dobro do segundo colocado, os Shiraz australianos. Foram 60 milhões de garrafas em 2001 e a previsão é 72 milhões de garrafas este ano. Acrescente a este número a produção local deste varietal, também em franca ascensão. O principal motivo do sucesso desta novidade foi o cansaço do consumidor em relação aos Chardonnays, mais pesados, barricados e enjoativos.

      A uva Pinot Grigio, ou Pinot Gris como é conhecida na França - literalmente Pinot cinza -, tem bagos de cor amarelo-rosada com toques acinzentados, de cachos pequenos em formato cilíndrico. Esta casta tem como principais regiões produtoras a Alsácia e o Vale do Loire, na França, e o Friuli, no nordeste da Itália. Ela produz desde exemplares doces e ricos até os mais secos e acidulados. Os aromas típicos são especiarias, frutas tropicais e amêndoas.

      O norte da Itália produz um mar de Pinot Grigio, a maioria indistinguível e desinteressante. As melhores, no entanto, chegam à excelência: são menos untuosas que as alsacianas, porém mais vivas e secas. Os produtores do Friuli, que estão ganhando o mercado americano, enfatizam os produtos naturais. A ênfase é na tipicidade, com o mínimo de manipulação e um severo controle de qualidade. Estas são as diretrizes do Slow Food - movimento que prega a não homogeinização do paladar - e da SuperWhites, organização que reúne os melhores produtores da região (como comentado anteriormente em "A febre dourada - Parte I"). O objetivo é mostrar frescor, fruta, elegância e juventude, que, em última análise, é a tradução do prazer de beber vinhos brancos.

      Os Pinot Grigio são também, por sua variedade de aromas, boa acidez e corpo, um curinga à mesa. Harmonizam-se com uma boa variedade de pratos, ou servem de aperitivo.

      Para quem quiser dar uma chance aos brancos, relaciono abaixo alguns dos melhores Pinot Grigio do Friuli disponíveis em nosso mercado:Pinot Grigio Schiopetto Podere dei Blumeri 1999, Expand (tel.: 11 4613-3333, US$ 39). Mario Schiopetto é um dos fundadores da moderna enologia da região. Neste exemplar, a Pinot Grigio está em seu esplendor. Linda cor amarelo-palha clara e brilhante. Elegantérrimo no olfato, com especiarias, amêndoas e um toque de baunilha. No palato, é leve, macio (13,5% de álcool), com boa acidez e um longo final. Excelente.

      Pinot Grigio Delle Venezie Esperto 2000, Mistral (tel.: 11 3285-1422, US$ 16,50). De Livio Felluga, um dos maiores nomes do nordeste da Itália. Este exemplar segue um pouco da cartilha internacional do carvalho novo, porém sem perder a personalidade e o garbo. Amarelo-palha com reflexos dourados, claro e brilhante. Aromas que lembram baunilha, mel, frutas maduras, maçã cozida e amêndoas. Desce bem, com uma textura macia na boca, com 13% de álcool. Muito bom.

      Pinot Grigio Volpe Pasini 2000, importado pela World Wine (tel.: 11 3315-7477 cerca de R$ 55). Ricardo Cotarelli, criador deste vinho, foi eleito enólogo do ano em 2001 pelo "Guia Vini d’Italia". Amarelo-palha muito claro e transparente, com reflexos verdes. Fragrante no nariz, elegante e com média intensidade. Notas de cítricos, melão, amêndoas e flores. No palato, tem médio corpo, 12,5% de álcool balanceados com boa acidez, o que o torna bom para o a comida, sem depender desta. O mais leve da prova. Beber agora. Muito bom.

      Krizia Pinot Grigio 1998, da Azienda Agricole Friuliane Banear. Importado pela World Wine (R$ 70). Este segue um estilo internacional, encorpado e com presença marcante do carvalho (amadurece em pequenas barricas novas de 225 litros). Cor amarelo-palha, com reflexos dourados e brilhantes. Aromas variados: frutas frescas, como abacaxi, maçã verde, pêssego, maracujá, melão, limão galego, além de baunilha, capim e hortelã. Final longo e fresco. Faz a boca ficar cheia d’água por sua acidez. Seco e com bom teor alcoólico (13%). Chama a atenção pela imponente garrafa que, vazia, deve pesar 1kg. Pronto para beber. Muito bom.

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