Empresas investem em preservação
 
16/10/2002

 Norte-americanas acreditam no mercado de CO2 mesmo sem Quioto. Empresas multinacionais norte- americanas investem em projetos de preservação ambiental com vistas a um futuro mercado de créditos de carbono, embora os Estados Unidos não tenham ratificado o Protocolo de Quioto. A Chevron/Texaco, a General Motors e a American Electric Power estão aplicando, juntas, US$ 18 milhões em projetos para o seqüestro de 2,5 milhões de toneladas de carbono num prazo de 40 anos, por meio do reflorestamento e conservação ambiental. Uma parceria com as organizações não governamentais (ONG’s) The Nature Conservancy e com a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) possibilitou a aquisição de 18 mil hectares de terra na região de Guaraqueçaba, no litoral norte do Paraná, onde estão sendo implantados os projetos de recuperação da vegetação degradada.

      Conservação é a prioridade

      Clóvis Borges, diretor executivo da SPVS, diz que uma das prioridade dos projetos é capacitar as comunidades locais para a conservação ambiental. Segundo ele, atualmente no Paraná existem apenas 3% da cobertura vegetal original da região. "Os três projetos são desenvolvidos com base no plantio de espécies nativas da região e as áreas serão transformadas em reservas particulares do patrimônio natural", afirma Borges. Nas áreas adquiridas, de acordo com Borges, a principal atividade era a criação de búfalos.

      Outra preocupação da SPVS é que os recursos desembolsados para a compra desses terrenos não sejam aplicados em atividades que gerem emissão de gás carbônico (CO2). "É o que chamamos de vazamento de carbono. Temos que ter certeza de que quem nos vendeu essas terras não vai usar os recursos para negócios que gerem emissões de carbono. Por que caso isso aconteça, não vamos reduzir a emissão, vamos no máximo empatar", diz Borges.

      O projeto da American Electric Power - com investimento de US$ 5,4 milhões e 7 mil hectares é o mais adiantado, pois teve início em julho de 2000. O projeto da GM, por sua vez, é o que tem maior investimento US$ 10 milhões e o investimento da Chevron/Texaco é de US$ 3 milhões em mil hectares.

      Projetos em discussão

      Outras empresas norte americanas também estão buscando projetos de conservação ambiental no Brasil, conforme o diretor da The Nature Conservancy para o Brasil, Paraguai, Venezuela e Colômbia (América do Sul Oriental) Joe Keenan. "Existe uma preocupação mundial com as mudanças climáticas e mesmo que o Protocolo de Quioto não entre em vigor, certamente vão haver movimentos de negócios de carbono por acordos bilaterais ou entre blocos", avalia.

      A advogada Adriana Mathias Baptista, do escritório Tozzini, Freire, Teixeira e Silva Advogados, concorda com Joe Keenan e acrescenta que o mercado está andando de forma mais rápida do que a regulamentação necessária.

      Para que qualquer projeto possa gerar créditos de carbono para serem negociados, terá que ser aprovado pelo Conselho Internacional do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) criado no âmbito de Quioto. O advogado Vladmir Abreu do mesmo escritório ressalta que, até agora, como as regras para este negócio ainda não foram definidas, não existe nenhum projeto certificado nem registrado. "A previsão é que estas regras só estejam definidas nos próximos três anos. Até lá, o que existe são projetos elegíveis", afirma Abreu.

 

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