A briga do açúcar contra a União Européia (UE) 


      Genebra, Suíça, 15 de Outubro de 2002 - O Brasil e a Austrália reuniram ontem 11 países da África, Caribe e Pacifico (ACP) em Genebra, Suíça, para explicar que a briga do açúcar contra a União Européia (UE) não visa atacar as exportações desses países para o mercado europeu.

      Nações da ACP, antigas colônias européias, se beneficiam de cotas (restrições quantitativas) livres de taxas para exportar seu açúcar na Europa. E tem reclamado que a ação brasileiro-australiana contra a UE pode ser devastadora sobre suas indústrias açucareiras.

      Ontem, na reunião em Genebra, vários representantes mostraram que seu temor é de que a União Européia, ao corrigir o regime de açúcar, acabe afetando suas exportações. Brasil e Austrália retrucaram que Bruxelas pode perfeitamente corrigir os subsídios em excesso dados aos produtores de açúcar europeus, que provocam depressão dos preços mundiais. Pois não questionam o acesso preferencial dos países do ACP no mercado comunitário.

      A UE importa 1,6 milhão de toneladas de açúcar bruto por ano de antigas colônias, faz o refino e reexporta com subsídios. Apenas cinco países se beneficiam de 80% das cotas: Ilhas Maurício, Guiana, Jamaica, Suazilandia e Fiji.

      Mesmo teor

      Até agora, a UE reuniu 11 países, incluindo também Zimbábue, Barbados e Trinidade Tobago, para participarem como terceira parte nas consultas com o Brasil e a Austrália. Assim, ajudam a posição européia. Curiosamente, as demandas para participar das consultas têm o mesmo teor, as mesmas frases.

      A campanha iniciada ontem em Genebra vem no rastro da mesma ação dos embaixadores do Brasil e da Austrália em Bruxelas. Na verdade, as próprias organizações não governamentais (ONGs) de desenvolvimento, como a britânica Oxfam, apóiam o Brasil e dizem que o regime açucareiro europeu faz é aumentar a dependência dos que no momento se beneficiam de cotas para vender seus produtos.


Saiba mais: 


Países produtores de açúcar apóiam Brasil na briga contra europeus
 
      São Paulo, 15 de Outubro de 2002 - Os principais países produtores de açúcar aguardam com otimismo uma posição favorável ao Brasil, que discute na Organização Mundial do Comércio (OMC) os pesados subsídios ao açúcar concedidos pela União Européia (UE) aos seus agricultores. O Brasil conta também com o apoio da Austrália, que entrou como parte interessada nesse processo na OMC.

      Global Alliance

      "Temos acompanhado todo o processo na OMC", diz Eduardo Pereira de Carvalho, presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica). O executivo participou ontem da reunião da Global Alliance, que reúne 14 países produtores de açúcar. Pela primeira vez, o encontro acontece no Brasil. A entidade internacional discute a abertura do mercado de açúcar e álcool no mundo e, neste momento, acompanha o processo aberto pelo Brasil na OMC contra os subsídios europeus.

      Para Bruce Vaughan, presidente da Queensland Sugar, uma das principais entidades sucroalcooleiras da Austrália, a discussão dos subsídios na OMC pode abrir caminho para o acesso do açúcar nos mercados fechados, sobretudo na UE, Estados Unidos e Japão.

      Bruce Vaughan confirma que o governo australiano está dando suporte para que as indústrias locais comecem a desenvolver um mercado de álcool naquele país. "Não temos as mesmas condições que o Brasil. Mas estamos investindo neste mercado", diz.

      Um dos principais produtores de açúcar do mundo, a Tailândia também dá indiretamente apoio ao Brasil na briga na OMC. Segundo Phisit Pakkasem, presidente da Thai Sugar Millers Corporation, entidade que reúne as principais companhias sucroalcooleiras daquele país, o apoio só não pode ser direto, pois o país dá suporte aos preços internos do açúcar aos seus agricultores. "Também estamos criando condições para desenvolver o mercado de álcool."

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