
Brasil pesquisa as
bolhas ionosféricas
16/10/2002
O Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) iniciou neste mês os estudos
sobre o fenômeno das bolhas ionosféricas, uma região de vazio de
plasma que se estende ao longo das linhas de força do campo magnético
terrestre. O fenômeno ocorre com mais freqüência nas regiões
equatoriais e de baixas latitudes e provocam interferências nos sinais
de rádio, televisão por satélite, celulares, radares espaciais e
sistemas de orientação de aviação e navegação.
Desde 5 de outubro um grupo de cientistas
do Inpe, com o apoio financeiro e de infra-estrutura das Forças Aéreas
do Brasil e dos Estados Unidos, estão realizando medidas intensivas do
meio ambiente ionosférico brasileiro. Batizada de "Pontos
Conjugados", a pesquisa abrange os municípios de Boa Vista (RO),
Campo Grande (MS), Alta Floresta (MT) e Cachimbo (PA).
O Brasil, segundo a coordenadora do
projeto no Inpe, Inez Staciarini Batista, é o único país do mundo
onde é possível realizar esse tipo de experimento, pois possui território
ao norte e ao sul do equador geomagnético. As bolhas ionosféricas também
ocorrem com mais freqüência no País porque existem mais condições
elétricas para a geração do fenômeno. As bolhas são formadas pela
instabilidade do plasma ionosférico e podem atingir a extensão de até
10 mil km, sendo mais intensas na faixa de 300 km de altitude.
Os cientistas envolvidos com a campanha
"Pontos Conjugados", segundo Inez, já detectaram dois eventos
de bolhas inosféricas durante as observações simultâneas do fenômeno.
O objetivo da pesquisa é identificar a variabilidade da ocorrência do
fenômeno no Brasil e, a partir daí, desenvolver modelos de previsão.
A análise feita com as primeiras bolhas,
detectadas entre os dias 8 e 10 de outubro, segundo Inez, já trouxe
informações importantes e inéditas sobre a ocorrência do fenômeno
em algumas regiões. Em Boa Vista, por exemplo, os cientistas
identificaram a ocorrência muito freqüente e intensa da "camada
esporádica", uma das regiões da ionosfera, localizada entre 90 e
120 km de altitude.
"A intensificação da ionização
nessa camada é causada por ventos e campos elétricos. Isso pode afetar
a condutividade (propriedade elétrica do meio) da região e, conseqüentemente,
o processo de formação das bolhas." Segundo ela, as bolhas
ocorrem numa região acima da camada esporádica, mas o mecanismo que dá
origem a elas depende da condutividade dessa camada. "Se essa
condutividade está alterada pode afetar a formação das bolhas."
Os EUA, conforme Inez, estão preocupados com os efeitos que as interferências
delas podem provocar em seus sistemas de navegação aérea (GPS).
"O sinal do GPS fica totalmente contaminado quando afetado por uma
bolha e isso representa risco para aeronaves que usam esse sistema para
navegação aérea e marítima."