
Brasileiro será
proibido de comprar terras no Paraguai
16/10/2002
A suspeita de
foco de febre aftosa no Paraguai provocou uma crise diplomática com o
Brasil. Ontem, pecuaristas brasileiros estiveram reunidos com o
embaixador brasileiro no Paraguai, Luiz Augusto de Castro Neves, para
discutir uma possível retaliação paraguaia: a Câmara dos Deputados
do país vizinho aprovou lei que proíbe brasileiros de ter propriedades
naquele país.
A lei, aprovada na última quinta-feira,
determina que as terras não-produtivas a 50 quilômetros da fronteira
sejam vendidas em três anos e, as produtivas, em 10 anos. Só poderiam
ser proprietários no Paraguai brasileiros que tenham se naturalizado há
mais de oito anos. A lei ainda depende de aprovação no Senado para
entrar em vigor. O projeto será levado ao Senado amanhã.
Há três hipóteses para a aprovação
unânime, em regime de urgência urgentíssima pela Câmara dos
Deputados: uma retaliação ao fechamento da fronteira; à decisão do
Centro Panamericano de Combate à Febre Aftosa (Panaftosa) de enviar uma
missão multinacional para fazer exames nos bovinos, a pedido do Brasil;
ou a uma suposta ação ilegal de um veterinário da Agência de Defesa
Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), de Mato Grosso do Sul – o funcionário
teria entrada na fazenda suspeita, sem a autorização das autoridades
sanitárias.
A lei está deixando apreensivos os
pecuaristas brasileiros. Foi formada força-tarefa com federações de
agricultura de diversos estados e a Confederação da Agricultura e Pecuária
do Brasil (CNA) para fazer lobby junto aos governos brasileiro e
paraguaio contra a aprovação da medida. "Não podemos deixar que
se misturem questões fundiárias com sanitárias, que sejam assegurados
os direitos adquiridos", diz Antônio Salvo, presidente da CNA. O
fato foi comunicado ao presidente Fernando Henrique Cardoso por Carlos
Sperotto, vice-presidente da CNA.
"É uma situação delicada, mas
temos confiança de que o Congresso não adotará medidas discriminatórias",
diz uma fonte da embaixada brasileira no Paraguai. Os produtores
brasileiros, diz a fonte, têm importância fundamental na economia
paraguaia: 45% da carne exportada e 90% da soja são oriundas de
propriedades de brasileiros. "A medida tem que ser analisada com
calma", diz Carlos Trapani, presidente da Associação Rural do
Paraguai. Os técnicos do Panaftosa chegaram ontem à propriedade onde há
suspeita de febre aftosa, em Corpus Christi.