Frutas irrigadas avançam no cerrado
 
      Paracatu (MG), 11 de Outubro de 2002 - Além de bater recordes de produtividade com a soja, o cerrado agora está conseguindo também bons índices na fruticultura. Na região, os agricultores obtêm produtividade superior à maior média mundial. Em Quirinópolis (GO), por exemplo, a média é de 100 toneladas por hectare, ou seja, o dobro da média em Costa Rica, onde o índice é de 42 toneladas por hectare.

      Clima bom, manejo adequado do plantio e variedades isentas de doenças são os ingredientes que compõem a receita de sucesso da bananicultura do cerrado. As mudas, do laboratório da Companhia de Promoção Agrícola (Campo) de biotecnologia vegetal, em Paracatu (MG), são fruto de pesquisas desde 1991. Atualmente, das 10 milhões de mudas produzidas pela empresa, suficientes para 1,5 mil hectares de banana, um terço estão em terras do cerrado e o restante no Nordeste e Norte do País.

      Isenção de doenças

      A Campo possui 24 variedades de banana nanica e prata isentas de doença. De acordo com Sebastião Pedro da Silva Neto, diretor geral da empresa, a companhia busca as mudas com melhores características genéticas para verificar a presença ou não de doenças, limpá-las e cloná-las. A pesquisadora Maria da Graça Cavalcante diz que primeiro são feitos os testes de presença de vírus e, em caso negativo, as mudas passam por um processo de desinfecção de fungos, nematóides ou bactérias. Posteriormente, são colocadas em estufas e monitoradas para não serem contaminadas, e, então, as mudas são disponibilizadas para o mercado.

      Alta produtividade

      "No Brasil, as condições climáticas e a tecnologia são suficientes para dobrar a produtividade, sobretudo no cerrado", afirma Silva Neto. Mas ele adverte que não adianta apenas ter uma muda imune, é preciso boa prática no cultivo. Ele cita ainda como vantagem deste produto, além da isenção do patógeno, a padronização da muda. Uma muda destas custa US$ 0,50. A empresa investe no custeio da pesquisa R$ 3 milhões por ano. Estão em testes de isenção de doenças, abacaxi, batata e alho.

      O produtor Túlio Merola, de Uberlândia (MG), cultiva há dois anos bananas em Quirinópolis e lá tem obtido índices de produtividade que fazem com que o produto seja comercializado a valores três vezes superiores ao custo de produção, chegando a R$ 0,24 o quilo. A bananicultura é, hoje, na Fazenda Rodeio, o produto com maior rentabilidade, à frente da pecuária de corte e de leite.

      Pecuarista, Merola buscou na banana uma nova alternativa de renda. Por este motivo, cultivou 26 mil plantas em 16 hectares que antes eram destinados à pastagem. Para o produtor, as mudas da Campo, a água em abundância – o bananal é irrigado em sistema de microaspersão – , o manejo adequado da cultura e o clima do cerrado (bem definido) é que têm proporcionado o bom desempenho.

      Sistemas de irrigação

      Além disso, com a irrigação, ele consegue colher dois cachos de banana por ano por família (três plantas). Toda a produção da fazenda, que soma duas mil caixas por semana, é comercializada em São Paulo, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso e distribuída para empresas atacadistas dos vizinhos Argentina e Uruguai.

 
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