Impacto ambiental de gasoduto será reavaliado
 
      Manaus, 15 de Outubro de 2002 - O Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) para a construção do gasoduto Urucu-Porto Velho vai ser reavaliado por um grupo de trabalho formado pelo Ministério do Meio Ambiente, Petrobras, Organizações Não-Governamentais (ONGs) que atuam em áreas ambientais e sociais da Amazônia.

      Para obter a autorização à realização da obra, a Petrobras terá que cumprir recomendações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) voltadas à redução do impacto socio-ambiental ao longo dos 530 quilômetros do gasoduto.

      Interesses comunitários

      O ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, disse aos representantes de ONGs reunidas no Tropical Hotel de Manaus que a licença para a construção do gasoduto vai considerar os interesses das comunidades tradicionais (índios e ribeirinhos) e núcleos urbanos sob a influência do futuro gasoduto, mas advertiu que o País não pode deixar de usar o gás natural para promover desenvolvimento econômico e social na região. O diálogo, segundo o ministro, deve avançar na solução de impasses ocorridos até agora.

      O Ibama exigiu que a Petrobras cumprisse 23 ajustes ao seu planejamento de impacto ambiental para dar início a implantação do gasoduto. As ONGs ambientalistas apontam outros problemas que não foram considerados pelo Ibama, como o da ausência de medidas que evitem uso do rastro do gasoduto como estrada por caçadores, madeireiros e garimpeiros, e que comunidades indígenas sejam afetadas pelas frentes de trabalho. "A Petrobras terá que fazer um novo EIA-Rima", disse o coordenador regional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Adilson Vieira.

      O doutor em planejamento de sistemas energéticos Artur Moret disse que a Petrobras planejou entregar o gás em Porto Velho por um meio mais barato sem considerar o nível de impacto ambiental. Ele acredita que o percurso do gasoduto poderia ser modificado para não ter influência sobre núcleos de populações tradicionais e urbanas. Ou poderia transportar o combustível acondicionado em baixa temperatura em barcaças, com menor volume e menos riscos ao ambiente.

      O grupo de trabalho deve ser reunir na próxima semana para elaborar uma agenda de trabalho.


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