
Cai valor de mercado
das agroindústrias
16/10/2002
Ações de
empresas de frango e suíno, como Sadia e Perdigão, enfrentam período
de baixa liquidez. Depois de sete meses de bom desempenho, o valor de
mercado das principais agroindústrias do País caiu em agosto, segundo
levantamento da consultoria de investimentos Global Invest. Foram
analisadas as companhias Avipal, Perdigão, Sadia e Seara (veja tabela
ao lado). "Há um sentimento muito negativo no mercado. Mesmo com o
bom desempenho do agronegócio, os frigoríficos acabam sendo afetados
pelo pessimismo do mercado", diz Fernando Ferreira, diretor
estrategista da Global Invest.
Com exceção da Seara, todas as
companhias analisadas tiveram seu valor de mercado rebaixado. "As ações
das agroindústrias têm baixa liquidez, o que afasta o
investidor", diz. No entanto, nos primeiros meses do ano houve uma
migração para os papéis desses mesmos frigoríficos, que à época
ofereciam maior segurança.
Barreiras da UE
Para Fabiano Guimarães Costa, analista
econômico do Rabobank, a superoferta de frango e suínos no mercado
internacional, o aumento dos preços das matérias-primas (insumos),
cotados em dólar, e as barreiras impostas, sobretudo pela União Européia
(UE), são fatores que pesam de forma negativa ao setor no momento.
"O ano de 2001 foi extremamente positivo para as agroindústrias,
que tiveram um bom desempenho nas exportações. Houve grande
investimento na capacidade instalada dessas indústrias, que acabaram não
sendo absorvidas neste ano", diz.
Segundo ele, o cenário pode voltar a
ficar positivo no médio prazo. "As indústrias colocaram pé no
freio agora. Mas o mercado está se ajustando, o que pode ser favorável
ao Brasil, com o dólar valorizado e o produto nacional competitivo no
exterior", diz.
Mercado competitivo
O valor de mercado dessas empresas
poderia ter sido maior, se o agronegócio não estivesse competitivo
neste ano. No primeiro semestre, essas empresas sofreram poucas influências
negativas do mercado, ao contrário das companhias de telecomunicações
e energia, por exemplo. "Há um certo limite para o descasamento do
mercado entre essas empresas e as outras, que sofrem maior influência
da macroeconomia", diz Ferreira, da Global Invest.
As empresas, segundo o consultor, estão
enfrentando escassez de crédito no mercado. "Quando o cenário
voltar a ficar favorável, os investidores começam a migrar novamente
para os papéis das empresas como maior liquidez."
Exportações favoráveis
A Sadia, a Perdigão e a Avipal tiveram
desvalorização de 2,57%, 13,35% e 15,13%, respectivamente, em agosto,
em relação ao final do ano passado. A exceção foi a Seara, que, no
mesmo período, valorizou-se 9,9%. Com o câmbio valorizado, essas
companhias beneficiaram-se das exportações.
Para José Vicente Ferraz, diretor da FNP
Consultoria & Comércio, o desempenho do agronegócio tem sido mais
dinâmico em comparação com os outros setores. "Mas quando a
economia está ruim, todos acabam se prejudicando de alguma
maneira." Segundo o consultor, a retração do consumo prejudica os
negócios das empresas. "No entanto, é preciso lembrar que as
empresas são competitivas, o que pode contribuir para uma rápida
recuperação", afirma.