
Pão poderá ter amido de mandioca
15 de Outubro de 2002 - O Ministério da
Agricultura tentou, mas ainda não conseguiu unir os diversos segmentos
da indústria alimentícia em torno de uma proposta comum sobre a adição
de amido de mandioca na farinha de trigo. As discussões são motivadas
pelo polêmico projeto de lei do deputado federal Aldo Rebelo
(PcdoB-SP), que tramita na Câmara Federal e, se aprovado, obrigará a
adição de 10% de fécula de mandioca em toda a farinha de trigo
consumida no País.
Ontem, o Ministério da Agricultura e
Pecuária reuniu, em Curitiba, representantes de Abitrigo (moinhos),
Abam (indústrias de fécula de mandioca), Abimilho (indústrias de
amido de milho), e sindicato das panificadoras do Paraná, além de
pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
A reunião foi comandada por Célio Porto, secretário de Política Agrícola
do ministério.
À exceção da Abam, todos os segmentos
reafirmaram sua posição contrária à obrigatoriedade da adição, por
considerarem que ela fere o livre mercado. ´Hoje, os moinhos produzem
farinhas para todos os tipos de pães e massas. A obrigatoriedade vai
contra o progresso tecnológico da indústria´, disse Roland Guth,
presidente da Abitrigo.
Maurício Yamakawa, presidente da Abam,
entidade que seria beneficiada com a obrigatoriedade, se declarou favorável
à aprovação de uma lei sobre a adição de mandioca no trigo. Mas
afirmou que o ideal será o substitutivo ao projeto de Rabelo, que deverá
ser apresentado na Câmara pelo deputado Inácio Arruda (PcdoB-CE),
reeleito.
O substitutivo permite à indústria
criar duas categorias de farinha -pura e mistas- e dá um prazo de cinco
anos para a adaptação dos moinhos à lei. Isso, na opinião de
Yamakawa, favoreceria a indústria, já que, dependendo do tipo de
produto, a mistura de amido de mandioca pode chegar a até 50% (como o
de biscoitos doces, por exemplo). O projeto de lei de Rabelo, também
reeleito, está sob análise em duas comissões da Câmara: Agricultura
e Direitos do Consumidor.
Para a Abam, a adição de fécula poderá
reduzir as importações de trigo, baixar os preços de pães e massas,
gerar empregos no campo e estimular os pequenos agricultores, que
representam a maior parte dos produtores de mandioca. O Brasil importou,
no ano passado, cerca de 70% do trigo que consumiu.
A tonelada de trigo no mercado interno
custa atualmente entre R$ 680 e R$ 700, enquanto o produto importado está
em US$ 200 a tonelada (cerca de R$ 760). O preço da tonelada de fécula
é de R$ 500. O Brasil desenvolve um plano de auto-suficiência na produção
de trigo. Partiu de 2,5 milhões, em 2000, para 3 milhões de toneladas,
no ano passado. Nesta safra, a expectativa é de que chegue a 3,5 milhões
de toneladas.
O Brasil deverá produzir, neste ano, 750
mil toneladas de fécula de mandioca -exatamente o volume que seria
adicionado à farinha caso o projeto de Rebelo seja aprovado. A oferta não
seria suficiente, já que a fécula tem uma série de outras aplicações.
Segundo a Abam, mesmo sem a obrigatoriedade a indústria de panificação
e massas já absorve atualmente 200 mil toneladas de amido de mandioca
por ano.
Diante da falta de consenso, Porto
agendou para o dia 11 de novembro novo encontro dos setores produtivos.
Desta vez, a reunião ocorrerá em São Paulo.
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O Ministério da Agricultura tentou, mas ainda não conseguiu
unir os segmentos da indústria alimentícia em torno de uma proposta
comum sobre a adição de amido de mandioca na farinha de trigo. As
discussões são motivadas pelo projeto de lei do deputado federal Aldo
Rebelo (PCdoB-SP), que tramita na Congresso e, se aprovado, obrigará a
adição de 10% de fécula de mandioca em toda a farinha de trigo
consumida no País.
Ontem, o Ministério da Agricultura e
Pecuária reuniu em Curitiba, representantes de Abitrigo (moinhos), Abam
(indústrias de fécula de mandioca), Abimilho (indústrias de amido de
milho) e sindicato das panificadoras, além de pesquisadores da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A reunião foi comandada
por Célio Porto, secretário de Política Agrícola do ministério.
À exceção da Abam, todos os segmentos
reafirmaram posição contrária à obrigatoriedade, por considerarem
que ela fere o livre mercado. "Hoje, os moinhos produzem farinhas
para todos os tipos de pães e massas; a obrigatoriedade vai contra o
progresso tecnológico da indústria", disse Roland Guth,
presidente da Abitrigo.
Em defesa do substitutivo
Maurício Yamakawa, presidente da Abam,
que seria beneficiada com a obrigatoriedade, se declarou favorável a
uma lei sobre a adição de mandioca no trigo, mas afirmou que o ideal
será o substitutivo ao projeto de Rabelo, que deverá ser apresentado
pelo deputado Inácio Arruda (PCdoB-CE). O substitutivo permite à indústria
criar duas categorias de farinha - pura e mistas - e dá prazo de cinco
anos para a adaptação dos moinhos. Isso, para Yamakawa, favoreceria a
indústria pois, dependendo do tipo de produto, a mistura de amido de
mandioca pode chegar a 50% (biscoitos doces, por exemplo).
A tonelada de trigo no mercado interno
custa de R$ 680 a R$ 700, enquanto o produto importado está em US$ 200
a tonelada (quase R$ 800). O preço da tonelada de fécula é de R$ 500.
O Brasil desenvolve um plano de auto-suficiência na produção de trigo
que partiu de 2,5 milhões, em 2000, para 3 milhões de toneladas, no
ano passado. Nesta safra, a expectativa é de 3,5 milhões de toneladas.
O Brasil deverá produzir este ano 750
mil toneladas de fécula de mandioca - exatamente o volume que seria
adicionado à farinha caso o projeto de Rebelo seja aprovado. A oferta não
seria suficiente, pois a fécula tem uma série de outras aplicações.
Segundo a Abam, mesmo sem a obrigatoriedade, a indústria de panificação
e massas absorve atualmente 200 mil toneladas de amido de mandioca por
ano.
Diante da falta de consenso, Porto
agendou para o dia 11 de novembro novo encontro dos setores produtivos.
Desta vez, a reunião ocorrerá em São Paulo.