Sociedade Brasileira de Silvicultura pede mais linhas de crédito
 
      São Paulo, 15 de Outubro de 2002 - Encontro entre entidades, empresas e governo traça rumos para setor. Representantes do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e do setor de florestas plantadas se reuniram ontem em encontro promovido pela Sociedade Brasileira de Silvicultura (SBS), em São Paulo, para discutir os desafios para o desenvolvimento da atividade florestal brasileira. Para o presidente da SBS, Nelson Barboza Leite, foi iniciado o processo de construção da "Agência Nacional de Florestas", com o reconhecimento por parte do governo da importância do setor florestal.

      A secretária de Coordenação da Amazônia do MMA, Mary Allegretti, defendeu a necessidade de uma proposta consensual entre todos os segmentos do setor, de florestas plantadas e nativas, para se construir uma solução conjunta entre governo, iniciativa privada e terceiro setor.

      "Qualquer solução, para ter eficácia, tem que ter consenso", afirmou Mary. A representante do ministério disse ainda que no caso do setor florestal o modelo institucional de gestão compartilhada é o mais indicado. "Tem que ter também respaldo da opinião pública, de parlamentares e da área de pesquisa", complementa.

      Criação de políticas

      No evento de ontem, que contou com a presença de representantes de todos os segmentos industriais do setor de florestas plantadas, entre eles executivos de empresas como Klabin e Ripasa, associações de empresas florestais, produtores e consultores, Mary apontou como principal desafio para o setor florestal a criação de uma política pública e de desenho institucional para a sua execução, incluindo as questões relativas à Amazônia, e se colocou como o canal de comunicação entre o governo e o setor. "Somos um país florestal, mas não temos uma política para a atividade", diz a secretária do MMA.

      Mary usou como exemplo para o estabelecimento de um consenso a experiência adotada na Amazônia, em que foram estabelecidos diálogos com representantes dos segmentos que atuam na região para enfrentar o principal problema, o desmatamento.

      Modernizar a ação pública

      Segundo ela, era preciso modernizar a ação pública e acabar com a visão de que o Ministério do Meio Ambiente é aquele que dificulta os licenciamentos, que conta com os profissionais mais radicais no setor. Mary afirma que foi possível chegar ao consenso - "tudo contra o desmatamento e tudo a favor da floresta, do manejo florestal na Amazônia" - e que essa experiência precisa transcender para outras regiões e para o setor de florestas plantadas.

      Entre as prioridades do setor apontadas pela SBS e que contaram com o apoio dos entidades e empresas presentes, destacaram-se a necessidade de expansão da base florestal e de linhas de financiamento, a eliminaçao do excesso da burocracia, do casuísmo legal além da fragilidade institucional ou falta de identidade.

      Diagnóstico perfeito

      Nesse último caso, a SBS destacou que "o setor florestal não tem endereço, não tem casa". "O Programa Nacional de Florestas fez um diagnóstico perfeito de como está o setor; a fiscalização funciona até bem demais, há pesquisas, os recursos começaram a surgir (com linhas de financiamento como o PropFlora e Pronaf Florestal), mas falta o desenvolvimento", ressalta Nelson Leite. Segundo o presidente da SBS, faltam diretrizes para que sejam identificadas as oportunidades, para propiciar articulações entre os ministérios.

      Para Mary Allegretti, a floresta tem chance de se constituir como uma atividade de fomento. "O segredo é construir melhor um consenso que inclua a Amazônia, o que é muito poderoso. Se isso for feito, ninguém baterá o Brasil", afirma. A secretária deixou o encontro já com a incumbência de agendar uma nova reunião, que provavelmente será realizada no Acre, com a presença de representantes do setor de florestas plantadas e nativas.


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