Agradecemos a Gazeta Mercantil por este artigo que demonstra o pouco investimento necessário
para o transporte de soja na Região Amazônica. Construção de estradas, além de um custo alto,  e impacto ao meio ambiente,  existe a demora em sua finalização. Os poucos recursos utilizados para o  transporte através dos rios, que o Brasil tanto possui, em nada deteriora o ambiente, o custo/benefício é alto e a idéia promissora. Fica o agradecimento a Gazeta pela divulgação e para a empresa Bertolini pela iniciativa. 
 
Ex-carreteiro leva soja por rio
 
      São Paulo, 1 de Outubro de 2002 - Operação vai começar em 2003.  O ex-caminhoneiro gaúcho Irani Bertolini investe um total de R$ 20 milhões com recursos próprios e da linha Finame na construção de empurradores e balsas para movimentar, por rio, a soja produzida em Mato Grosso. Os comboios de Bertolini a partir de 2003 vão transportar soja para a Cargill pelos rios Madeira e Tapajós, de Porto Velho (RO) a Santarém (PA), onde os grãos serão embarcados em navios, rumo ao mercado externo.

      Irani Bertolini chegou a Manaus na década de 70, com uma carga de móveis num caminhão Mercedes 1111. De lá para cá montou na região um grupo de transporte, armazenagem e construção de balsas e carretas que já fatura R$ 130 milhões por ano.

      

Saiba mais:

Bertolini investe R$ 20 milhões
 
      São Paulo, 1 de Outubro de 2002 - Transportadora utiliza recursos próprios e do Finame para operação fluvial na Amazônia. O ex-caminhoneiro Irani Bertolini vai investir R$ 20 milhões na construção de empurradores e barcaças para transportar soja pelos rios Madeira e Tapajós, entre as cidades de Porto Velho (RO) e Santarém (PA). A movimentação começa em fevereiro de 2003 com um volume estimado de 270 mil toneladas. O contrato, com a Cargill, se estende por cinco anos. No primeiro ano a Transportes Bertolini vai faturar, em fretes, cerca de R$ 9 milhões com a operação.

      Bertolini, de 56 anos, tem um conglomerado de empresas na Amazônia que empregam 1,5 mil pessoas com faturamento previsto, neste ano, de R$ 130 milhões.

      A operação para a Cargill abre uma frente logística na Amazônia. O terminal da Cargill em Santarém tem capacidade de armazenagem para 60 mil toneladas - suficiente para o embarque de navios Panamax, que atracarão nas águas do Rio Tapajós em Santarém e seguirão para a Europa.

      Além dessa rota, outra opção fluvial de exportação para grãos pela região Norte é feita desde 1997 pelo empresário Blairo Maggi, considerado o "Rei da Soja". Seus comboios navegam pelos rios Madeira-Amazonas até chegar ao porto flutuante de Itacoatiara (AM). No primeiro ano foram transportadas 350 mil toneladas. Em 2002 o volume deverá ficar em 1,3 milhão de toneladas de soja. "Nesse volume tem 120 mil toneladas de milho", diz Maggi.

      A soja da região Oeste, sobretudo de Mato Grosso, pelas rotas fluviais operadas por Maggi (e a partir de 2003 por Bertolini) evitam a saída pelos portos da região Sul/Sudeste. Dados coletados pela Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes, conhecida pela sigla de Geipot, indicam que a saída da soja pela Amazônia reduz em até 20% o frete e o gasto de combustível no trajeto porta-a-porta - Mato Grosso (MT) até Roterdã, porto holandês.

      O império de Bertolini

      O gaúcho Irani Bertolini fundou a Transportes Bertolini em 1978. No período de pouco mais de duas décadas transformou-se de simples caminhoneiro - dirigia um Mercedes-Benz ano 1111 - num dos mais prósperos transportadores do País.

      Hoje, suas empresas operam 150 caminhões, 1 mil carretas e uma frota de empurradores e balsas. As carretas e as balsas são construídas pelo próprio grupo.

      O forte de Bertolini é o transporte rodofluvial - principalmente produtos eletroeletrônicos. O trecho fluvial vai de Belém a Manaus. Até 1989 contratava balsas. A partir daí passou a operar com comboios próprios. Cerca de 60% das cargas procedentes da Amazônia, sobretudo da Zona Franca de Manaus, são distribuídas nas regiões Sul/Sudeste.

      O contrato com a Cargill abre uma nova frente de negócios para o grupo Bertolini. Até 2004 terá alocada para essa operação uma frota de 9 empurradores e 15 balsas. "Estamos financiando a construção com recursos próprios somados à da linha Finame", diz Irani Bertolini.

      Os empurradores terão porte pequeno, médio e grande. Os médios vão utilizar um motor MAN, com potência de 1700 cavalos. Os de grande porte terão dois motores MAN de 1700 cavalos cada.

      De início, os comboios vão movimentar, em cada viagem, 10 a 12 mil toneladas. "Em 2004, com a entrada dos empurradores de grande porte, cada comboio levará 18 mil toneladas", conclui o empresário Irani Bertolini.

      (Gazeta Mercantil/Página C4)(Ariverson Feltrin)

 

 

 
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