
USP cria o mosquito
transgênico da malária
16/10/2002
O Instituto de Ciências
Biomédicas da Universidade de São Paulo desenvolveu uma pesquisa para
o combate à malária com base na criação de mosquitos transgênicos
incapazes de transmitir a doença. O estudo, coordenado pela professora
Margareth Capurro, foi feito com o protozoário Plasmodium gallinaceum,
que afeta as galinhas. Nos EUA, pesquisadores de Cleveland desenvolveram
um trabalho semelhante com camundongos, e já detém a metodologia para
modificar os genes da malária que ataca o ser humano.
Mais:
USP cria o mosquito
transgênico
Estudos indicam
formas de combater doenças como malária e dengue. A criação de
mosquitos transgênicos, incapazes de transmitir malária e dengue, doenças
que vitimam anualmente mais de 1 milhão de pessoas, foi anunciada esta
semana pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São
Paulo (ICB-USP). A pesquisa começou em 1997, quando um grupo coordenado
pela professora Margareth de Lara Capurro, do Departamento de
Parasitologia do ICB-USP, conseguiu criar um mosquito incapaz de
transmitir a malária em galinhas. "O sucesso com o estudo foi
fundamental porque, no seu começo, a não-transmissão da doença pelos
mosquitos modificados era apenas uma hipótese".
Margareth Capurro iniciou suas pesquisas
com o protozário Plasmodium gallinaceum (causador da malária nas
galinhas) em 1997, ano em que seguiu para a Universidade da Califórnia
(EUA) e fez seu pós-doutorado com o tema "Controle de Transmissão
de Doenças". Ao mesmo tempo, cientistas de Cleveland, também nos
Estados Unidos, iniciaram um processo similar com um grupo de
camundongos. O trabalho também teve bons resultados, uma vez que os
mosquitos modificados não conseguiram transmitir o protozoário
Plasmodium berghei, causador da malária nos roedores.
Segundo a professora do ICB-USP, os
pesquisadores de Cleveland já têm pronta uma metodologia para
desenvolver transgênicos da malária em seres humanos, mas ainda não
dispõem do gene. "Implantar o processo com humanos é mais
demorado e de custo elevado", diz Margareth Capurro. Mas como já
existem as experiências bem-sucedidas com as galinhas e os camundongos,
que duraram três anos, ela acredita que em mais dois ou três anos os
cientistas norte-americanos terão novidades com suas pesquisas.
No trabalho de desenvolver o mosquito
geneticamente modificado, explica Margareth Capurro, a primeira etapa
abrange a elaboração dos novos genes que são colocados nos animais.
Com estes genes produzidos, é iniciada a fase da clonagem, para que
seja feita a multiplicação das moléculas. Posteriormente, coloca-se
os genes nos mosqui-tos, e passa-se a observar o comportamento deles
para que seja comprovada a ineficiência na transmissão da doença. Um
fato curioso desse trabalho é que a implantação dos genes não impede
que os mosquitos carreguem os microorganismos causadores das doenças,
mas impossibilita que os protozoários penetrem no corpo humano.
A extensão da pesquisa do Instituto de
Ciências Biomédicas da USP, que este ano contará com o apoio da Fundação
de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), tem o título de
"Vetores Brasileiros de Malária e Dengue". Trata-se de uma
seqüência do estudo iniciado em 1997 pela equipe de Margareth Capurro.
"Até o início de 2003, esperamos encontrar cinco novos genes
relacionados à Dengue", anuncia a pesquisadora.
Proteína em três dimensões
O Centro Nacional de Ressonância Magnética
Nuclear de Macromoléculas da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(URFJ) desenvolveu um estudo com a PW2, proteína criada em laboratório
a partir de uma imagem tridimensional. O trabalho ajudará na geração
de medicamentos, vacinas e no tratatamento de uma doença que causa
grandes prejuízos à avicultura brasileira.
A pesquisa conta com o apoio do Centro de
Biologia Molecular e Engenharia Genética da Universidade Estadual de
Campinas (Unicamp) e do pesquisador Kurt Wüthrich, um dos três
ganhadores do Prêmio Nobel de Química de 2002.