
Associação Antropológica Americana
(AAA) tenta encerrar a polêmica acerca da ação de cientistas entre os
ianomâmis do Brasil
Associação encerra "caso ianomâmi"
Dois anos depois do lançamento do livro "Trevas no Eldorado",
do jornalista Patrick Tierney, a Associação Antropológica Americana
(AAA) tenta encerrar a polêmica acerca da ação de cientistas entre os
ianomâmis do Brasil e da Venezuela. Lançou um relatório final sobre o
caso, que inocenta os antropólogos Napoleon Chagnon e James Neel das
acusações mais pesadas de Tierney, como ter aplicado vacinas
experimentais de sarampo nos índios.
O texto, publicado em 2 de julho pela AAA, pode ser obtido pela internet
(www.aaanet.org). Ainda não teve
grande repercussão entre antropólogos brasileiros. A sociedade científica
americana estuda a possibilidade de publicar o trabalho em português e
espanhol, para maior difusão.
O relatório tem dois volumes e mais de 300 páginas. Afirma que não há
razão para censurar Neel por ter aplicado vacinas nos ianomâmis, com a
ajuda de Chagnon, nos anos 60. A conclusão é que a medida teria
"salvado, inquestionavelmente, muitas vidas".
Chagnon, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, sempre foi um
antropólogo polêmico. Uma das razões para isso foi seu livro sobre os
cerca de 20 mil ianomâmis do Brasil e da Venezuela, intitulado "O
Povo Feroz". Nele, apresenta esses índios como adeptos de infanticídio
regular e de guerras sangrentas.
O relatório da chamada Força-Tarefa Eldorado da AAA critica Chagnon
por ter difundido a "imagem falsa", que teria sido muito
prejudicial aos ianomâmis. E apresenta como principal resultado da
investigação da Força-Tarefa as péssimas condições de saúde dessa
etnia nos dois países: "A coisa mais crítica que verificamos foi
que esses povos estão realmente em terrível perigo".
Concluído em maio de 2001, o trabalho só foi publicado agora porque
ficou aberto para críticas. Um dos que contribuíram foi Bruce Albert,
da organização não-governamental brasileira Comissão Pró-Yanomami.
Seus comentários também estão na internet (www.proyanomami.org.br).