
Novas regras dos EUA após o 11 de setembro
já preocupam os cientistas
30/11/2002
Cientistas americanos estão protestando contra a nova regulamentação do
governo para estudos biológicos, criada após os atentados de 11 de setembro.
Segundo os pesquisadores, a nova política inibiria a publicação de
resultados, ameaçando minar a abertura fundamental que faz a ciência
progredir.
Enquanto lutam para cumprir o prazo de 10 de setembro para informar às
autoridades se possuem material que possa ser usado para fabricar armas biológicas,
cientistas e diretores afirmam que as regras indicam uma nova era de controles
mais estritos sobre quem pode trabalhar com esses materiais. Eles também temem
pelo que poderia ou não ser publicado em termos de resultados.
"Isso tem o potencial de mudar a definição de ciência, a maneira como as
pessoas conduzem a ciência, inclusive o que queremos dizer quando falamos de ciência",
diz Ron Atlas, presidente da Sociedade de Microbiologia dos EUA.
John H. Marbuger III, assessor de ciência do presidente George W. Bush e
diretor do Escritório de Política sobre Ciência e Tecnologia, reconhece que
as velhas formas de conduzir trabalhos vão ter de mudar, mas defende que o
debate entre a segurança nacional e os interesses científicos é salutar e
necessário.
"Temos de prestar atenção nesse tema", disse. "Não podemos
supor que nossa conduta anterior seja a conduta adequada para um tipo de mundo
em que é possível o terrorismo que observamos no 11 de setembro."
Marbuger disse acreditar que a maior parte dos estudos de microbiologia não será
afetada pelas novas regras. Somente os que se concentram em pesquisas que
poderiam ser utilizadas para construir armas de destruição de massa devem começar
a ser controlados com mais rigor. (DO "THE NEW YORK TIMES")