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Fórum é
contra privatizar recursos hídricos
Foz do Iguaçu (PR), 28 de Novembro de 2005 -
Encerrado na sexta-feira com uma palestra do cientista e
escritor austríaco que reside nos EUA, Fritjof Capa, o Fórum
Internacional Diálogos da Bacia do Prata marcou sua posição
contra a privatização dos recursos hídricos e quer realizar um
diagnóstico sócio ambiental da Bacia do Prata e estendê-lo para
toda a América do Sul. "Para os países da Bacia do Prata, a água
é um patrimônio público indispensável para a vida, não podendo
ser tratada como objeto mercantil e o saneamento básico que lhe
garante a gestão para manutenção da sua qualidade e quantidade é
responsabilidade de toda sociedade", afirma a carta divulgada ao
final do encontro.
Durante três dias, 1.200 técnicos, políticos, ativistas e
membros de Ongs do Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia e
Uruguai participaram do encontro. Para Fritjof Capra, contumaz
crítico dos efeitos da globalização e da introdução de
transgênicos na agricultura, "o Brasil é o único país do mundo
onde estão ocorrendo avanços para o desenvolvimento sustentável
porque há diálogo eficiente entre o governo, a sociedade de
negócios e a sociedade civil. Méritos para o Governo Lula que
conseguiu criar estes canais", disse o escritor.
O escritor também previu um grande papel para o país no processo
de substituição de combustíveis fósseis que se inicia em todo o
mundo. "50% do petróleo consumido hoje será substituído pelo uso
de carros com materiais mais leves e que consomem menos
combustível. Outros 25% pelo biocombustível e aí o Brasil terá
um papel importante", explicou. "O Brasil está dando exemplos e
é o lugar ideal para criar projetos de desenvolvimento
sustentável", concluiu ele na palestra.
A Carta afirma também que o plano estratégico da Comissão
Intergovernamental Coordenador dos Países da Bacia do Prata
(CIC) é o instrumento que deve orientar a gestão integrada e
definir as estratégias de uso sustentável da água e que é
preciso reforçar a atuação desta entidade, com sede em Buenos
Aires, até porque depois do acordo tripartite que levou a
construção de Itaipu, ela não foi mais atuante nas questões
regionais.
Outra proposta da Carta do Fórum é que a gestão financeira e
operacional dos serviços de saneamento seja feita com a
participação da sociedade, em caráter local e integrado. Em
outro dos seus pontos, o que aborda o uso da água para
hidroeletricidade, o documento recomenda o início imediato da
avaliação da produção de sedimentos e da qualidade da água em
toda Bacia do Prata.
Com relação aos aqüíferos existentes na região dos países da
Bacia o documento demonstrou sua preocupação com a contaminação
das águas subterrâneas transfronteiriças e de que é preciso
antes "estudá-las, protegê-las para depois explorá-las mediante
um zoneamento de dados, quantidade, qualidade e utilização,
completando a proteção com uma correta educação específica sobre
os sistemas aqüíferos da região", como o Guarani que está
presente em todos estes países.
A Carta conclui que "é indispensável e urgente a integração de
nossos povos e governos para que o Tratado da Bacia do Prata
seja um instrumento efetivo de sustentabilidade.’’
PS: "A água é um patrimônio público indispensável para a vida,
não podendo ser tratada como objeto mercantil"
Origem:(Gazeta
Mercantil/Caderno C - Pág. 4)(Norberto Staviski) |