Campanha leva à primeira apreensão de agrotóxicos ilegais
 
      São Paulo, 4 de Julho de 2002 - A campanha nacional contra o comércio ilegal de agrotóxicos que tem entre os seus objetivos a redução dos riscos que os venenos contrabandeados e pirateados provocam ao meio ambiente e à saúde começa a surtir efeito. A Polícia Militar do município de Palmeira das Missões, no estado do Rio Grande do Sul, realizou à primeira apreensão de defensivo agrícola, a partir de denúncia à central de informações, lançada em maio. A apreensão, ocorrida no mesmo mês, foi divulgada só ontem pela Associação Nacional dos Distribuidores de Defensivos Agrícolas e Veterinários (Andav) e Sindicato da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag).

      Os defensivos contrabandeados e pirateados não têm a aprovação do governo brasileiro. O uso e venda dos produtos configura-se crime. Segundo a Andav, o comércio ilegal movimenta por ano US$ 20 milhões. O mercado legal fatura US$ 2,5 bilhões. "O agricultor compra o ilegal e acha que faz economia, mas está errado", diz o diretor-executivo da Andav, Henrique Mazotini. Dados da entidade e do Sindag mostram que o preço dos produtos contrabandeados fica apenas 2% abaixo dos legais.

      Mercado crescente

      Embora a venda dos produtos sem a autorização do governo brasileiro seja proibida, o uso dos agrotóxicos pirateados ou contrabandeado aumenta em estados como o Rio Grande do Sul, Goiás, Paraná e Mato Grosso. ‘São grandes produtores agrícolas e por isso o uso é maior", justifica Mazotini. Ele acredita que os agricultores recorrem aos ilegais principalmente para baixar custo. Por conta do mercado paralelo crescente é que as entidades lançaram a campanha nacional "Herbicida falsificado ou contrabandeado é um mau negócio para você e a sociedade".

      A campanha foi lançada em maio, mesmo mês em que ocorreu a denúncia de contrabando no Rio Grande do Sul. A denúncia foi resultado da campanha e culminou na apreensão, também em maio, de 50 quilos de defensivos. O produto estava com o comerciante Ildo Ferrarin. Ele responderá a processo criminal por contrabando. O Disque-Denúncia (0800 940 7030), segundo o Sindag, tem recebido um número representativo de ligações – a entidade não informa esse dado, para não atrapalhar investigações policiais em curso.

      Embalagens perigosas

      Um dos maiores problemas do uso de venenos ilegais é que pouco se conhece do que carregam em suas fórmulas e muito menos se a composição é perigosa para quem manipula os defensivos agrícolas ou para o meio ambiente. Outro fator que preocupa ambientalistas e especialistas no assunto é o descarte das embalagens. Pela legislação federal, os frascos têm de ser entregues em postos e centrais autorizadas.

      As embalagens são incineradas ou recebem tratamento adequado para que não provoquem riscos à saúde humana e ao meio ambiente."Ninguém vai levar para os postos embalagens ilegais. Preocupa saber qual é o destino final delas", diz Mazotini. Em terrenos baldios ou mesmo em aterros sanitários elas são uma ameaça. Os produtos aprovados pelo governo brasileiro passam por rígida fiscalização de três ministérios (Saúde, Agricultura e Meio Ambiente), além da inspeção do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A obtenção de um registro de produto demora, em média, dez anos.


 

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