Alimentos
para bichos de estimação.
São Paulo, 16 de Setembro de 2002
- Agroceres, Nutriara e Mogiana aumentam a produção de alimentos
para bichos de estimação. Os fabricantes de ração têm adotado
diferentes estratégias para ampliar participação no segmento de
alimentos para animais domésticos, mercado que cresceu 20% em média
ao ano na década de 1990. A Agroceres Nutrição Animal, que
atuou durante 25 anos como fornecedora de ração para animais de
produção (aves, bovinos e suínos), está investindo pesado para
ingressar no mercado pet.
A empresa estudou o segmento
durante três anos, período em que elaborou uma linha de onze
produtos para cães, gatos e pássaros, que chegam ao mercado no
final de 2002. "Aplicamos R$ 10 milhões na modernização da
unidade industrial de Minas Gerais, onde são produzidas as linhas
de alimentos e na unidade de Rio Claro (SP), onde instalamos um
laboratório e um canil", diz Ariovaldo Zanni, gerente de
marketing da divisão pet da Agroceres. A companhia pretende
aplicar R$ 2 milhões ao ano no desenvolvimento de novos produtos,
na ampliação da capacidade de produção e em marketing.
Outra indústria que está inovando
é a Nutriara Alimentos. A empresa associou-se ao desenhista Maurício
de Souza e lançou em julho a linha de rações da marca Bidu, de
categoria premium (alto valor nutricional). A Nutriara já destina
entre 80% e 90% da sua linha de produção ao segmento pet.
"Nosso carro-chefe é o segmento premium, que responde por
70% das vendas de rações para pet", diz Antenor Romanini,
gerente de marketing da Nutriara. Além das quatro fábricas que
mantém no Brasil, a empresa está construindo uma unidade no
Uruguai para atender os países do Mercosul.
Já a Fri-Ribe, que desde 1973
fabrica ração para animais de produção, ingressou no segmento
pet no final da década de 1980 e mantém atualmente sete fábricas
no Brasil. "Nossa produção global situa-se em 150 mil
toneladas por ano, dos quais 30% referem-se às rações para
animais domésticos", diz Walter Alburquerque de Araújo,
gerente da Fri-Ribe.
Na Mogiana Alimentos, empresa que
produz rações da marca Guabi, as vendas da área pet já
respondem por 50% da produção total.
Os esforços das empresas para
ganhar maior participação no mercado brasileiro justificam-se.
Estimativas indicam que neste ano as vendas de ração para
animais domésticos somarão 1,3 milhão de toneladas, aumento de
11% sobre 2001. O faturamento do setor crescerá no mesmo ritmo
que a produção, devendo ultrapassar os R$ 2 bilhões.
Potencial
Segundo a Associação Nacional dos
Fabricantes de Alimentos para Animais (ANFAL), o mercado de Pet
Food possui um potencial de mais de 3,2 milhões de toneladas,
para atender um universo de 38 milhões de animais de estimação,
entre 27 milhões de cães e 11 milhões de gatos. "As indústrias
alimentam hoje 36% da população brasileira de cães e gatos.
Nossa meta é alcançar 50% em 2005", diz Marcos Haaland,
diretor da Mogiana.
As vendas estimadas para este ano,
de 1,3 milhão de toneladas, respondem por apenas 3,2% do mercado
brasileiro de ração animal, que atingirá em 2002 produção de
41,695 milhões de toneladas. A rentabilidade do segmento,
entretanto, é excelente. "São produtos de alto valor
agregado", diz Haaland. Por esse motivo, multinacionais européias
e norte-americanas também aumentam gradualmente as vendas para o
Brasil. Estimativas indicam que as importações de rações para
animais domésticos situam-se entre 3% e 5% da demanda brasileira.
"Em geral, são produtos "super premium" que
contribuem para complementar o ‘mix’ de vendas do
Brasil", afirma o diretor da Mogiana. Aproximadamente 40% da
produção brasileira refere-se a produtos econômicos, o restante
está dividido entre produtos top, premium e super premium.
Mercado externo
A Mogiana Alimentos, uma das quatro
maiores empresas do setor, começa a destinar parte de sua produção
para o mercado externo. "Estamos negociando com países da Ásia
e do Mercosul", diz Haaland. Os embarques ainda são em
pequeno volume, mas a empresa estima embarcar 10% de sua produção
em 2004. Além do aumento das vendas, o segmento obteve avanços
tecnológicos, que colocam o produto brasileiro em situação de
igualdade com os maiores fabricantes mundiais.