Empresa se dedica
à agricultura orgânica
no cultivo do coco
anão verde.
16 de Setembro de 2002 - Adriana
Thomasi de Fortaleza
A Bioagroindústria Ltda., empresa
cearense dedicada ao cultivo de coco anão verde, prepara um salto
de qualidade em seus negócios. Vai ingressar no promissor mercado
de produtos orgânicos. A certificação sai até março de 2003, e
o proprietário Eliseu Souto Filho, também presidente do Grupo do
Coco do Ceará (GCC), já foi sondado por compradores da França e
Espanha, mas trabalha com cautela. "Precisamos de uma estrutura
competente de produção e fornecimento", diz.
A empresa, com 54 hectares plantados,
iniciou atividades em 2000 e investiu até agora cerca de R$ 240 mil
no projeto, recursos financiados pelo Banco do Nordeste. "A
estimativa é chegar a 2004 em condições de aumentar sensivelmente
e chegar a produção de 200 mil frutos/mês", assinala, diante
dos 60 mil atuais. "Em novembro, com vamos ao Rio de Janeiro
analisar a viabilidade de parceria com a Embrapa, para envase do
produto. Precisamos estar preparados", diz.
A experiência da Bioagroindústria
vai ser apresentada no Fórum da Agricultura Orgânica, às 16h de
amanhã, na 9ª Semana Internacional da Fruticultura, Floricultura e
Agroindústria (Frutal), que inicia hoje e vai até quinta-feira, no
Centro de Convenções Edson Queiroz, em Fortaleza, com expectativa
de receber 34 mil visitantes, diante dos 32 mil do ano anterior.
Souto Filho trabalha ainda em outra
frente, ligada a ações do Grupo do Coco, que vem passando por
transformações e este ano não participa da frutal. "Alguns
associados venderam as propriedades nas regiões cearenses de
Paraibaba e Trairi e a cooperativa passa por uma reformulação",
conta. Dos 22 produtores ligados ao grupo, restaram cerca de 14.
A diferença de porte das empresas,
algumas muito grandes e outras pequenos demais, também não
favoreceu as atividades. "Estamos avaliando agora a formação
de uma nova cooperativa, com a ajuda do cadastro da Secretaria de
Agricultura Irrigada, que tem 60 nomes listados", adianta o
presidente.
Novas tecnologias
Nos planos de fortalecimento, a busca
de novas tecnologias, por meio da Embrapa. O setor começa a
enfrentar concorrência de produtores do Sudeste, da região de
Quissamã (RJ) bem estruturados tecnicamente, que já utilizam o
sistema de micro-filtração no processamento da água de coco.
Além disso, o fruto nordestino
agrega o custo do frete, que encarece a carrada em R$ 2 mil, segundo
calcula Souto Filho, em comparação ao praticados lá. Mato Grosso
também começa a investir no setor e é mais um em busca de espaço
no mercado.
Os associados ao Grupo do Coco do
Ceará também aguardam a chance de testar os resultados da pesquisa
na prevenção de fungos da fruta, realizada pela Embrapa Agroindústria
Tropical, com base em Fortaleza.
Esse problema, detectado no ano
passado, inibiu os negócios de exportação, cujas articulações
indicavam boas possibilidades de vendas especialmente para a Europa.
O setor chegou a vender, de forma
experimental, cerca de US$ 54 mil ou 105 mil cocos entre abril de
2001 e igual mês deste ano. Ainda no primeiro quadrimestre de 2002,
embarcou dois contêineres para Reino Unido e Lisboa, um cada.
"Decidimos suspender as vendas até que esse problema seja
solucionado", afirma.
Além disso, Souto Filho, reconhece
que o valor nutricional do produto ainda é desconhecido no
exterior, com vendas concentradas basicamente no chamado mercado étnico.
"Para o incremento dos negócios
vamos precisar de estratégias que envolvem custos", observa o
dirigente, definindo o trabalho como o de formiguinha. De qualquer
maneira, segundo ele, as chances são promissoras.
O Ceará tem 5,7 mil hectares
cultivados de coqueiro anão precoce, o que representa, na produção
a pleno, cerca de 1,8 bilhão de frutos/ano. Nas contas de Souto
Filho, esse montante corresponderia a algo em torno de 638 milhões
de embalagens de 350ml de água de coco.