Pesquisadores
criam ração animal mais rica em proteínas
16/10/2002
Pesquisadores do Departamento de Parasitologia da Universidade
Federal do Amazonas (Ufam) desenvolveram uma ração animal a base
de farelo de trigo, modificada por micro organismos, com teor de
proteínas superior em 66,34% em relação ao da ração tradicional
feita da mistura de farelo de trigo, soja e milho. O bioproduto,
feito por ação dos fungos Aspergillus do grupo niger e Hansenula ,
foi testado com sucesso na alimentação de frangos de corte e agora
está em fase de obtenção de patente.
A coordenadora do projeto, doutora em
parasitologia Maria Francisca Simas Teixeira, disse que, além da
patente, está em andamento a busca de parceiros para a fabricação
do bioproduto em escala industrial. Ela estima que o novo produto
chegará ao mercado dentro dos próximos três anos. A pesquisadora
não detalhou a pesquisa porque está cumprindo as exigências do
processo de patenteamento do bioproduto.
Em relação à ração tradicional,
Maria Francisca disse que são inúmeros os benefícios do
bioproduto para os animais e para os humanos. "Houve uma
conversão muito boa de proteínas do produto para as aves",
disse. O frango alimentado com o bioproduto adquiriu sabor idêntico
aos criados sem confinamento, conhecidos como os chamados frangos
caipiras.
Essa qualidade é atribuída aos
efeitos da nova ração, cuja fração mineral aumentou em 7,7% e
lipídios em 71,43%, com a adição do Hansenula; enquanto o teor de
carboidratos foi reduzido em 21,43%, com o uso do Aspergillus.
Quanto o processo de fermentação se deu pela associação dos dois
microorganismos, o teor de carboidrato caiu em 34,0%. Trata - se,
segundo Maria Francsica, de um produto que pode ser usado como
suplemento alimentar para aves de corte. "As análises
microbiológicas comprovaram a eficiência do bioproduto sem que
houvesse o desenvolvimento de fungos nos tecidos e órgãos",
afirmou a pesquisadora. A pesquisa coordenada por Maria Francisca
foi desenvolvida no decorrer de um ano com um financiamento de R$ 16
mil do Banco da Amazônia S/A (Basa).
Maria Ferreira afirmou que o
desenvolvimento de bioprodutos na Amazônia, de clima quente e úmido,
é mais provável que em outras regiões. "Este é um ambiente
propício à proliferação de microorganismos. Assim como eles
podem prejudicar a saúde humana e dos animais, podem também ser
usados na produção de alimentos saudáveis, sem componentes tóxicos",
comentou a pesquisadora.