Agrotóxicos: ameaça ao meio ambiente e ao homem    

Intoxicação, dor de cabeça, mal estar, fraqueza, sonolência e dor no estômago. Estes são alguns dos principais efeitos dos agrotóxicos sobre a saúde das pessoas que trabalham com esses produtos. O emprego de produtos químicos no combate a ervas daninhas e pragas nas lavouras, pode causar sérios problemas ao solo, ao meio ambiente, contaminar os alimentos e acabar causando danos ao consumidor final dos alimentos, em geral, de natureza respiratória, neurológica, cancerígena, entre outras. 

A faixa etária com maior incidência de problemas decorrentes do uso de agrotóxicos está compreendida entre os 20 e 29 anos, com cerca de 35 % do total, atingindo, em sua grande maioria, pessoas do sexo masculino, com mais de 80 % das notificações. De todas as incidências, quase 75 % se devem a intoxicação pelo exercício da atividade profissional ou por acidente no manuseio do produto. 

Estudos mostram que os organoclorados, como o DDT e o Dieldrin, permanecem em atividade no solo por até 30 e 25 anos após sua utilização, respectivamente. Herbicidas com alta pressão de vapor são carregados pelo vento atingindo rios e riachos, causando a contaminação e/ou destruição da fauna aquática. A ingestão de peixes contaminados também pode causar diversos males à saúde. Um documento da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) indica hoje o Brasil como um dos países que mais exageram na aplicação de pesticidas nas lavouras, principalmente na horticultura, onde se utilizam até 10 mil litros de calda (mistura do agrotóxico com a água) por hectare. 

A legislação brasileira que regulamenta o uso e a fabricação dos agrotóxicos é recente. A Constituição Federal só tratou especificamente da questão dos defensivos agrícolas em 1989. A lei 7.802/89 disciplina o uso, a aplicação, o comércio e o transporte dessas substâncias no país. O decreto 98.816, de 1990, determina que os produtores rurais só adquiram os produtos depois que engenheiros agrícolas fizerem um estudo da lavoura e fornecerem um receituário agronômico. Como acontece com o Código de Defesa do Consumidor e com Estatuto da Criança e do Adolescente, temos uma lei bastante moderna, mas não temos como aplicá-las corretamente. Poucos estabelecimentos cumprem a lei e cobram o receituário na hora da compra. 

Outro problema causado pelo uso de agrotóxicos é o que fazer depois do uso dos produtos, já que os resíduos químicos ainda permanecem nas embalagens. Uma das opções é incinerá-las ou até mesmo enterrá-las. Antes de q é preciso fazer a tríplice lavagem: encher a embalagem com água até atingir ¼ do volume, tampá-la e agitá-la por 30 segundos por três vezes seguidas, misturando o líquido ao conteúdo do pulverizador. Depois é preciso inutilizá-la fazendo furos. 

LUZ NO FIM DO TÚNEL - Uma iniciativa que vem sendo adotada por agricultores em várias regiões do Brasil é a implantação de agroflorestas em suas propriedades. Os agricultores abandonam o uso de qualquer tipo de produto químico e passam a plantar no meio da vegetação nativa. Em Pernambuco esta iniciativa vem sendo apoiada desde 1993 pelo Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá. 

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