Desempenho da agricultura irrigada no Ceará 
      16 de Setembro de 2002 - Vendas cearenses no mercado internacional saltaram de US$ 880 mil em 1998 para US$ 13,1 milhões no ano passado

      

      Os números de exportação são um indicativo direto do desempenho da agricultura irrigada no Ceará. As vendas ao mercado internacional saltaram de US$ 880 mil em 1998 para US$ 13,1 milhões no ano passado - representando um incremento de 1.398,3%, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Para este ano, são esperados US$ 17,2 milhões com exportação de frutas e flores - incremento de 31,1% sobre o ano anterior ou 1,852% comprado ao volume de 1998.

      Em 2003, a perspectiva é alcançar US$ 23,1 milhões, representando um crescimento de cerca de 35% sobre o volume estimado para 2002, conforme o coordenador do Sistema de Informações Gerenciais da Secretaria da Agricultura Irrigada (Seagri), Sérgio Baima. Além do incremento expressivo no volume vendido ao exterior, a Seagri conta com a crescente diversificação nas exportações.

      Produtos que até 1999 figuravam de modo discreto na pauta ou sequer eram considerados, evidenciaram um crescimento exponencial. As flores cultivadas com irrigação, por exemplo, saíram de um índice histórico próximo a US$ 50 mil para uma estimativa de US$ 1,2 milhão este ano e projeção de US$ 3,8 milhões em 2003.

      Pimenta malagueta

      Outro cultivo irrigado com grande potencial é o de pimenta malagueta. Até 1999, os sistemas de controle do MDIC não registravam nenhuma divisa com a exportação do produto. Ano passado, no entanto, os embarques para os Estados Unidos somaram US$ 131 mil e este ano devem alcançar os US$ 700 mil.

      Para 2003, a expectativa é chegar ao volume de US$ 1 milhão. A partir do próximo ano, a pauta - que tem como carro chefe o melão - também será reforçada por novos produtos, a exemplo do mamão. Além da diversificação da pauta, o dinamismo da agricultura irrigada no Ceará é garantido pelos investidores brasileiros estrangeiros.

      O grupo norte-americano Del Monte, que já cultiva 700 hectares de melão no Estado, por exemplo, está implantando 630 hectares de Abacaxi para atender, principalmente, o mercado externo.

      Na instalação de 420 hectares iniciais de abacaxi da Del Monte, na Chapada do Apodi, estão previstos investimentos de US$ 8 milhões - que serão aplicados ainda este ano. O procurador jurídico do grupo no Brasil, Newton Assunção, diz que a iniciativa reforça a proposta de expansão da empresa na região, que já aplicou US$ 18 milhões no Ceará.

      De acordo com coordenador da Seagri, o Estado também vem atraindo muitas empresas de São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. A expectativa da Seagri é dobrar os atuais 25 mil hectares irrigados no Ceará e chegar a 2010 com exportações de US$ 250 milhões - incremento de 1350% sobre os US$ 17,2 milhões previstos para 2002.

      Segundo Sérgio Baima, o aparente descompasso entre o volume de novas áreas e o faturamento é explicado pela introdução de tecnologia de ponta em cultivos irrigados considerados obsoletos, além do foco em produtos de maior valor agregado e voltados especificamente para o mercado externo.


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