Estratégias para o desenvolvimento do Nordeste
 
    05/10/2002
Entre as estratégias para o desenvolvimento do Nordeste, a agricultura irrigada vem se desenhando como umas das mais promissoras - contrariando a crença cristalizada ao longo de décadas de que o semi-árido, que ocupa a maior parte da região, era inviável para o desenvolvimento sustentável da atividade. A tese ganhou vigor com a publicação, no ano passado, do estudo Políticas e Estratégias para um Novo Modelo de Irrigação, coordenado pelo Banco do Nordeste.

      O trabalho, que condensa a contribuição de quase 1,5 mil especialistas nacionais e estrangeiros, conclui "que o nordeste brasileiro tem reconhecidamente as melhores condições para produção de frutas e hortaliças em todo o mundo." De modo surpreendente, o que era visto como fator limitante para agricultura - o excesso de insolação - agora é celebrado como vantagem comparativa em relação a outras regiões produtoras.

      "Sem dúvida, o semi-árido está sendo analisado sob uma nova perspectiva. Muito sol é vantagem, pois acelera o processamento da fotossíntese e, portanto, o crescimento da planta cresce", pondera Euvaldo Bringel, presidente do Sindicato dos Produtores de Frutas Irrigadas do Ceará (Sindfrutas). Segundo ele, até a escassez de chuvas, em certos aspectos, agora é considerado diferencial competitivo.

      "Pouca chuva e muito sol dificultam a proliferação de pragas e dão mais qualidade (em termos de sabor) aos produtos. Hoje se sabe com exatidão a necessidade de água para cada planta. Se, por exemplo, chover além da cota, a safra sofre prejuízos. A grande questão técnica hoje é dosar a água e adubo na exata demanda da plantação", afirma Bringel.

      Geração de empregos

      O entusiasmo dos produtores e agrônomos é acompanhado pelos técnicos do Banco do Nordeste, que contemplam a agricultura irrigada como estratégica para a geração de emprego e renda na área de atuação do banco - que além dos estados nordestinos, inclui o norte de Minas Gerais e do Espírito Santo. A tese ganha dimensão ainda maior em função do peso que o setor primário tem na ocupação da população nordestina.

      De acordo com o estudo, em 1997, mais de 41% dos nordestinos estavam ocupados diretamente na agricultura - considerando o agronegócio, a atividade emprega 83% da população ocupada e 77% da População Economicamente Ativa (PEA). "Em termos de região Nordeste, a agricultura é absolutamente fundamental", conclui o texto.

      O documento do Banco do Nordeste, no entanto, concluiu que são amplas as possibilidades do crescimento da agricultura irrigada na região - dos 2,4 milhões de hectares disponíveis, apenas 490 mil hectares estão sendo utilizados.

      Avalia ainda que em termos de demanda de mercado tanto a nível interno como externo as perspectivas são muito promissoras, afinal o Brasil exporta menos de 1% do dos US$ 23 bilhões que o negócio de frutas frescas movimenta por ano no mundo. A meta do país é passar dos US$ 214 milhões vendidos ao exterior no ano passado para um patamar próximo a US$ 1 bilhão até 2007.
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