Novas tecnologias
Brasília, 13 de
Agosto de 2002 - Produzir plantas-medicamentos, como uma soja com
insulina, testar qualidade dos alimentos em casa, despoluir rios com
microorganismos desenvolvidos especialmente para esta finalidade,
acessar em um computador todas as informações sobre novas
tecnologias para a agricultura. Tudo isso pode parecer quase
futurologia hoje, mas em poucos anos estas técnicas estarão no
mercado.
Assim como há 40
anos não se imaginava plantar soja no cerrado brasileiro, hoje a
principal região produtora deste grão - e foi possível graças às
pesquisas agropecuárias -, em breve estas novas tecnologias deixarão
de ser planos futuros e passarão a ser familiares em nosso
cotidiano. Todas estas técnicas já estão sendo testadas pela
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Produtividade maior
Há 30 anos, o
governo dava um passo importante para o desenvolvimento da agropecuária
no Brasil, com a criação da Embrapa. Naquela época, a
produtividade média da soja, por exemplo, estava próxima a 1.250
quilos por hectare.
Hoje, a
produtividade brasileira de soja é uma das maiores do mundo e
atinge 2.596 quilos por hectare, e chega a mais de 3.5 quilos por
hectare em algumas regiões, como em Mato Grosso. Neste período, a
produção de leite e hortaliças do País dobrou, a oferta de carne
suína e bovina foi multiplicada por três e a de carne de frango
aumentou cerca de dez vezes.
Para o presidente
da Embrapa, Alberto Duque Portugal, o sucesso da empresa deve-se ao
modelo de pesquisa, às parcerias formadas, ao investimento em
recursos humanos e à modernização da gestão. Atualmente, a
instituição trabalha como uma empresa privada, voltada para
atender as necessidades do mercado, com metas a serem cumpridas.
"Buscamos
viabilizar soluções para o agronegócio", afirma Portugal. A
empresa tem um orçamento anual da ordem de R$ 680 milhões, dos
quais 65% deste montante são gastos com pessoal - 8,4 mil funcionários.
Portugal diz que
fatores externos também foram responsáveis pela evolução da
pesquisa agropecuária no Brasil e cita a criação de Brasília e a
necessidade de desbravar o Centro-Oeste como medida impulsionadora
para o desenvolvimento de novas tecnologias para a região, bem como
as demandas por irrigação no Nordeste ou a abertura comercial,
quando a agricultura brasileira percebeu que era preciso ganhar
competitividade, com aumento da produtividade.
Avanço em
biotecnologia
Por isso, para
Portugal, são desafios do setor hoje acompanhar o avanço mundial
em biotecnologia, transferir tecnologia de ponta e valorizar a ciência
e tecnologia.
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