EUA testam
agricultura de precisão
Curitiba, 4 de Outubro de 2002 - Técnicas
como a utilização de uma "vassoura" para limpar a
superfície da terra, roldanas pontiagudas que descompactam o solo
das paredes do sulco e o emprego do gesso para agregar o solo, já
em uso nos Estados Unidos e ainda inéditas no Brasil, começam a
ser testadas na próxima semana em campos experimentais de
Londrina, norte do Paraná.
As pesquisas serão coordenadas por
Darrel Norton, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA),
que desenvolveu as técnicas, resultado de parceira entre o
governo norte-americano e fazendeiros daquele país. O conjunto
recebeu o nome de Nutill (jogo de palavras em inglês que envolve
o conceito de agricultura de precisão, com a utilização correta
de nutrientes).
Cooperação científica
A vinda de Norton faz parte da ação
do Laboratório Virtual da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa) no Exterior (Labex), cujo objetivo é ampliar a cooperação
científica entre pesquisadores brasileiros e os técnicos
norte-americanos. Os testes vão durar cerca de um ano e serão
realizadas nas áreas da Embrapa Soja e do Instituto Agronômico
do Paraná (Iapar).
Plantio direto
Desenvolvido no Paraná há cerca
de 20 anos, o plantio direto - feito sobre a palha da cultura
anterior, sem revolver o solo - já ocupa 18 milhões de hectares
no Brasil, com 70% da área cultivada com grãos. Nos Estados
Unidos, a técnica é empregada em aproximadamente 21 milhões de
hectares.
"Em poucos anos, vamos
ultrapassar os Estados Unidos", prevê o pesquisador Jorge
Brown, da Embrapa Soja, especialista em manejo de soja. "Há
muitos benefícios, como a redução de custos, a conservação de
solos, evitando assim a erosão, e a preservação do meio
ambiente e das fontes de água", segundo afirma Brown.
O plantio direto, método difundido
no Sul do País, é mais utilizado nas culturas de grãos -
sobretudo soja, milho e trigo.
O objetivo do trabalho de Darrel
Norton é solucionar um grande problema do plantio direto: a falta
de uniformidade na profundidade da distribuição das sementes,
provocada pela palhada da cultura anterior, o que causa variações
no tamanho das plantas. Por isso, o norte-americano criou uma série
de equipamentos que são acoplados às semeadeiras.
Agregação do solo
A "vassoura" limpa a
superfície e abre espaços para a introdução das sementes na
mesma profundidade. Além disso, o equipamento ajuda a inserir os
nutrientes em regiões precisas da cavidade para que sejam melhor
aproveitados pelas raízes.
As roldanas pontiagudas ajudam a
descompactar as paredes do solo abertas pelos facões da
semeadora. A utilização do gesso (sulfato de cálcio) tem o
objetivo de promover a agregação do solo e aprofundar a
distribuição das raízes , o que melhora a resistência da
planta em períodos de estiagem.
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