Crescem as vendas das carnes de grife
 
      São Paulo, 23 de Setembro de 2002 - Redes de varejo e de hotéis fazem parceria com frigoríficos para atender consumidor sofisticado. A comercialização de cortes nobres de carne bovina cresce impulsionada pela sofisticação do consumidor. Ainda que este nicho de mercado represente uma parcela menor da produção brasileira, estimada em 7,14 milhões de toneladas para este ano, tem se difundido no Brasil o hábito de compra de grifes de carne de alta qualidade.

      A rede internacional de hotéis Gran Meliá, em São Paulo, vai vender com exclusividade a marca Rubia Gallega, que será colocada em 20 meses no mercado. De acordo com Eduardo Grandal, diretor da GMG Importação e Exportação, empresa responsável pela importação do sêmen da raça européia, que será trazido da Espanha, o frigorífico pagará 7% a mais pela arroba do animal abatido.

      "Por enquanto, apenas o frigorífico CampBoi, de Guapiaçu (SP), está credenciado para fazer abates, mas pretendemos credenciar mais uma indústria. Isso dá garantias ao nosso produto", afirma Grandal.

      Início do programa

      A estratégia da GMG é importar o sêmen dos reprodutores espanhóis para inseminar em matrizes nelore. A carne com a marca Rubia Gallega será produzida a partir do cruzamento da raça européia com o nelore. "A GMG conseguiu uma linha de crédito de R$ 200 mil com o Banco do Brasil para financiar os produtores interessados no projeto."

      Pioneira entre as grifes de carne bovina, a Chalet Agropecuária irá exportar este ano 1,5 mil toneladas do programa Red Beef Connection. "Esse foi o primeiro ano de vendas e é considerado um período de teste. Acreditamos que a demanda aumente nos próximos anos", afirma o coordenador do programa, Guilherme Batalha.

      De acordo com o coordenador, a tonelada da carne com marca tem um valor entre 10% e 20% superior à carne convencional. "O preço médio da tonelada é de US$ 3,8 mil (FOB), no Porto de Santos", diz Batalha.

      A marca Red Beff ainda não existe no mercado brasileiro e atualmente é exportada com o selo de uma trading holandesa. "A Europa sabe reconhecer e pagar mais por uma carne de qualidade superior. Ainda estamos fazendo um trabalho de informação ao consumidor nacional", diz Batalha.

      Aproveitando o bom momento do segmento, o Frigorífico Bertin, uma das maiores indústrias de carnes do País, montou uma rede de lojas chamada Beef Shopping, instalada em Lins (SP), Barueri (SP), e Ribeirão Preto (SP), onde comercializa cortes nobres de carne bovina congelada e embalada em caixas de papelão. "Essas lojas quebraram dois mitos que existem no Brasil. O de que não se compra carne nobre congelada, e o de que o consumidor quer ver a carne que está adquirindo", diz Durval Cavalcanti, diretor comercial do frigorífico. Além da comercialização nas lojas, o Bertin também fornece cortes nobres para restaurantes e supermercados, distribuindo volumes superiores a 300 toneladas por mês.

      Vendas ao varejo

      Já o Frigorífico Marfrio fornece entre 120 e 200 toneladas por mês de cortes nobres de carne das marca "Grill" e "Prime" para rede de restaurantes como a Novilho de Prata (SP), Porcão (RJ), Fogo de Chão (SP) e restaurantes Barbacoa e Dinho’s Place, entre outros e para os supermercados Pão de Açúcar, Barateiro e Extra, além de butiques de carnes. Para uma carne ser denominada nobre é necessário verificar procedência, corte, tratamento e qualidade.

      Em geral, os cortes nobres são especificados pelos compradores de acordo com critérios que vão desde a espessura da gordura, limpeza, maciez, marmorização à raça do boi. "A procura por carnes nobres tem aumentado consideravelmente. Alguns supermercados mantêm, inclusive, um espaço para este segmento", diz Nelson Poemer Junior, diretor do Marfrio.

      Entre os cortes, os mais procuradas são picanha, mignon, contrafilé e baby beef. A Marfrio também fornece carnes nobres porcionadas para redes de fast food.

 
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