Grã-Bretanha
questiona política da UE
Genebra, 2 de Outubro de 2002 - Uma
vaca na União Européia recebe subsídio de US$ 2,5 por dia. É o
dobro do que ganham para viver 1,2 bilhão de pessoas nos países
pobres. Com esse exemplo, a secretária de comércio da Grã-Bretanha,
Patrícia Hewitt, e o economista-chefe do Banco Mundial, o também
britânico Nicholas Stern, lançaram duas das mais fortes condenações
até agora contra a Política Agrícola Comum (PAC) da UE.
Patrícia acusou alguns membros da
UE de fazer jogo duplo, ao pedir aos países pobres que abram seus
mercados enquanto protegem seus próprios agricultores. Ela disse
que a Grã-Bretanha vai liderar a briga pela "justiça
social". Seu colega Gordon Brown, ministro de Finanças,
descreveu o protecionismo agrícola como "perversidade"
e conclamou as nações industrializadas a abrir seus mercados
para os produtos dos países em desenvolvimento.
Em Washington, Stern adotou o mesmo
tom. Ele estima que uma vaca européia recebe US$ 2,5 por dia em
subsídios, enquanto no Japão é de US$ 7. Em comparação, 75%
do povo do sub-Sahara da África vive com menos de US$ 2 por dia.
Justin Forsyth, da organização não-governamental
Oxfam, vai além: diz que de cada US$ 1 de ajuda dada pelos ricos
aos pobres, US$ 2 "são roubados de volta através de comércio
desleal".
Esse debate vai se repetir amanhã
na Organização Mundial de Comercio (OMC), quando os 144 países
membros se reunirem para examinar o estado da situação das
atuais negociações globais.
O mínimo que se pode dizer, na
parte agrícola, é que o quadro é extremamente difícil. Os países
protecionistas, liderados na Europa pela França, e na Ásia pelo
Japão e Coréia, não entraram sequer no fundo das discussões. E
ao invés de propor abertura, buscam proteção.
Os protecionistas também acusam a
coalizão de 17 exportadores, do Grupo de Cairns, que inclui o
Mercosul, de insistir com propostas ambiciosas demais de
liberalização. A Austrália, que lidera Cairns, rebateu os
argumentos mostrando com os substanciais subsídios internos dados
pelos grandes: US$ 25 bilhões pela UE, US$ 20 bilhões pelos EUA
e US$ 7 bilhões pelo Japão.
Cairns propõe endurecer as condições
dos subsídios da "caixa verde". Mas insiste que não
propõe reduzir os pagamentos aos agricultores para programas
ambientais - notificados pelos EUA em US$ 300 milhões, pela UE em
US$ 5 bilhões e pelo Japão em US$ 1 bilhão. Também poderão
continuar com subsídios em casos de desastres naturais.
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