Cresce a procura por leilão de bovinos
 
      São Paulo, 2 de Outubro de 2002 - Bom momento da pecuária impulsiona o setor, que deve movimentar R$ 400 milhões este ano. Com maior liquidez, o mercado de leilões bovinos aproveita o bom momento da pecuária brasileira para melhorar seu desempenho. Nos últimos anos, a receita com os leilões cresceu em média 30% e deve encerrar este ano com faturamento de R$ 400 milhões. "O número de leilões tem crescido, impulsionado pela expectativa de aumento das exportações de carne", afirma Lourenço Campo, proprietário da Central Leilões.

      Os leilões da Central devem chegar a R$ 40 milhões, com a realização de 70 eventos, elevação de 81% sobre o faturamento do ano passado, de R$ 22 milhões. Em 2001, foram realizados 52 eventos. "A pecuária brasileira vive um momento muito feliz com o mundo de olho no boi de capim. Além disso, o aumento da demanda de carne tem um reflexo direto no nosso negócio", afirma Campo.

      Espaço para crescer

      Juntas, a Programa e a Remate Leilões vão realizar este ano 220 negócios, com arrecadação estimada em cerca de R$ 150 milhões, sobre os 180 eventos realizados em 2001, que movimentou R$ 120 milhões. "O Brasil ainda tem muito espaço para crescer nesse segmento. Na Europa, EUA e Argentina, por exemplo, cerca de 90% da produção pecuária é comercializada em leilões, enquanto no Brasil apenas 30%", diz Paulo Horto, presidente das duas empresas, que atuam de forma separada.

      Na opinião de Horto, o mercado de leilões no Brasil poderia facilmente superar a marca de R$ 500 milhões. "É preciso tratar os leilões com maior profissionalismo, conscientizar os produtores das vantagens e implantar os leilões de boi gordo, que ainda não existem no Brasil."

      Com 80% do rebanho brasileiro, a raça nelore está entre as mais vendidas em leilões no Brasil. Cerca de 75% dos remates são de animais nelore. Este ano, as vendas desta raça devem movimentar R$ 200 milhões, segundo Wagner Peroto, sócio-proprietário da Sucesso Assessoria Pecuária (SAP). "O Brasil importou nos últimos 10 anos muitos animais de raças européias, o que fez com que os criadores de nelore despertassem e ampliassem seus investimentos.

      No último final de semana, em Uberaba (MG), terminou a 31 Exposição Internacional de Nelore (Expoinel), com a realização de 14 leilões. No total, os remates somaram R$ 19,6 milhões em animais, valor 20% superior aos R$ 15,4 milhões do ano passado. No leilão da Fazenda Mata Velha foi vendido o animal mais caro do Brasil - e possivelmente do mundo - a vaca Olímpica, que teve 50% de sua produção arrematada por R$ 1,6 milhão.

      "A genética nelore avançou muito. Também estão pagando bons preços para animais diferenciados", afirma Peroto, ao lembrar que muitos criadores de raças européias estão migrando para nelore. Para Horto, da Programa, "o nelore vive seu melhor momento em leilões."

      Alto custo

      Apesar do momento positivo para as empresas, há quem pondere. "Nos últimos anos apareceram muitos leilões de baixa qualidade, aumentando a concorrência e elevando os custos. Já estamos repensando até que ponto um leilão é válido", afirma João Paulo Schneider, diretor de pecuária da GAP Genética, que há 50 anos realiza e participa de leilões.

      De acordo com Schneider, a GAP produz mil touros por ano, dos quais 30% dos animais são comercializados em leilões e os outros 70% em vendas particulares. "Os leilões servem para manter e fortalecer a marca. Ultimamente, os custos para realizar um evento desse tipo são muito elevados, em torno de 15% do faturamento total", afirma o empresário.

      Para manter a freqüência de compradores, Schneider diz que GAP oferece descontos de até 10% para compradores que adquiriram animais em outros leilões.

 
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