Exploração
desordenada seca a fonte de lucros
27 de Setembro de 2002 - Indústria
do setor discute, em Natal, alternativas para melhorar a
competitividade ameaçada pela falta de controle.
As perspectivas para a indústria de água mineral no Brasil serão
discutidas durante o 11º Congresso das Indústrias de Águas
Minerais, que acontece de domingo até a próxima quarta-feira, no
Centro de Convenções de Natal. Depois do Recife, a capital do
Rio Grande do Norte é a segunda cidade nordestina a sediar o
evento. A Região é a segunda maior produtora brasileira de água
mineral, com 23,2% de participação.
A estimativa da organização do
evento é reunir 400 congressistas e cerca de três mil
visitantes. O presidente do Congresso, Djalma Barbosa da Cunha,
explica que a proposta é discutir temas de interesse e atualidade
para o setor, incluindo medidas para implementar melhorias na
qualidade e na valorização do produto.
Um dos assuntos que deve esquentar
o debate é o excesso de marcas, que está aumentando a
competitividade no setor. Só em Pernambuco, maior envasador de água
mineral do Nordeste, 47 fontes estão em operação.
Paralelo ao Congresso, acontece a
Expo Abinam 2002 (mostra de equipamentos, acessórios e serviços
para o setor) e o 1º Congresso Brasileiro dos Distribuidores de
Água Mineral. Os eventos são organizados pela Associação
Brasileira das Indústrias de Águas Minerais (Abinam) e Sindinam.
O assessor da diretoria da Abinam,
Paulo de Souza, diz que a Expo Abinam vai ocupar uma área de 800
metros quadrados, no Pavilhão Potengi, do Centro de Convenções
de Natal. Serão 40 estandes distribuídos no espaço.
Além dos especialistas
brasileiros, também marcam presença no Congresso representantes
de entidades internacionais como o International Bottled Water
Association (associação que reúne todos os fabricantes dos
Estados Unidos) e o NSF International (um dos mais conceituados
institutos mundiais de certificação de qualidade de bebidas e
alimentos).
A estimativa é de que o evento
reabra as discussões sobre exportações de água mineral. No ano
passado, a potiguar Água Cristalina iniciou projeto de ingressar
no comércio exterior, mas se retraiu em função da logística.
Com 32% de market share no Rio Grande do Norte, a empresa é a única
no Estado associada à Abinam.
A indústria tem capacidade para
envasar uma média de 2 mil garrafões de 20 litros/hora e estuda
a produção de água mineral com gás a partir do primeiro
semestre de 2003. Hoje, a empresa tem um mix com oito embalagens e
distribui os produtos em cerca de 3 mil pontos-de-venda.
Mercado
O mercado brasileiro de águas
minerais vem mantendo nos últimos 10 anos uma média de
crescimento anual de 20%. Em cinco anos (de 1997 a 2001), a expansão
do setor foi de 104%.
No Nordeste, existe uma expectativa
de que o setor entre num período de estagnação, em decorrência
do crescimento desordenado na exploração de novas fontes.
A projeção do Sindágua de
Pernambuco (entidade que reúne as empresas do setor), é de que
seja registrada uma queda de 15% para 8% no crescimento do consumo
anual.
Apesar do desaquecimento do
mercado, continua a corrida pela exploração de novas fontes
minerais. Nos últimos seis meses, Pernambuco responde por 17,5%
dos pleitos para explorar novas fontes no Departamento Nacional de
produção Mineral (DNPM).
Em 2001, conforme balanço do DNPM
e da Abinam, a indústria brasileira de águas minerais cresceu
23%, somando um volume de produção e consumo de 4,3 bilhões de
litros.
O mercado de água mineral no
Nordeste movimenta R$ 101,2 milhões/ano. A região Sudeste lidera
o ranking de produção com participação de 56,4%, seguida pelo
Nordeste (23,2%), Sul (11,3%), Norte (5,1%) e Centro-Oeste (4%).