| O avanço da "uva
dolorosa"-Pinot-problemática na vinificação Bloomberg, 30 de Agosto de 2002 - A região de Central Otago da Nova Zelândia tem montanhas com cumes cobertos por neve, lagos glaciais, desfiladeiros de tirar o fôlego - e excelente Pinot Noir. Uma recente viagem à área, que é a região vinícola mais austral do mundo, me convenceu de que Central Otago oferece o maior desafio até agora aos líderes de Pinot Noir do Novo Mundo: os estados americanos de Califórnia e Oregon. Desde fins da década de 90, Central Otago, localizada na Ilha Meridional da Nova Zelândia, tem sido a região vinícola de crescimento mais acelerado do país. Hoje a área conta com 26 vinícolas e 71 vinhedos. Todos os quais são dedicados a produzir excelente Pinot Noir. Até recentemente, havia apenas uma fonte de Pinot Noir sublime: Borgonha. Esta região francesa é famosa por vinhedos lendários, produção minúscula e preços assustadores. Durante décadas, as vinícolas na Califórnia, Oregon, África do Sul, Austrália, Chile e Nova Zelândia tentaram decifrar o segredo dos vinhos clássicos de Borgonha. Os bons vinhos Borgonha têm uma sensação apimentada, o sabor de cerejas ácidas e uma textura aveludada. Como o crítico de vinho Oz Clarke certa vez resumiu, "todos querem produzir Pinot porque, como o amor verdadeiro, o Pinot grandioso é quimérico, mas vale a pena". As vinícolas chamam o Pinot de a "uva dolorosa" porque é difícil de se desenvolver e problemática na vinificação. Um clima ameno é essencial. Este é o motivo pelo qual o primeiro sucesso com Pinot na Califórnia ocorreu na região de neblina, Carneros, em Napa Valley. Também é o motivo de as vinícolas terem se dirigido ao norte, para Oregon. O clima da Nova Zelândia tornou o país um concorrente natural em Pinot. Depois do sucesso internacional com o Sauvignon Blanc, as vinícolas da Nova Zelândia em poucas áreas, como Martinborough, conquistaram a reputação por Pinots finos e leves. Central Otago, com um clima para vinicultura viável, está emergindo como a capital de Pinot do país. No decorrer dos anos, alguns fabricantes de vinho sustentaram que a chave para os Pinots sedutores é o calcáreo no solo. Outros disseram que o segredo está na fermentação de baga inteira ou maceração fria. Ainda outros alegaram que é outra coisa - mas o quê, não sabem. Os produtores do Novo Mundo tentaram de tudo. Alguns vinicultores plantaram vinhas em encostas argilosas. Algumas vinícolas mandaram trabalhadores de adegas colocarem de volta as hastes no mosto de uva depois do esmagamento. Muitos produtores fizeram viagens a Borgonha para observar os franceses cuidarem de seus lotes diminutos e não responderem a perguntas.As vinícolas do Novo Mundo começaram a aprender o jeito de produzir Pinot Noir na década de 1990. A maioria descobriu que o segredo do Pinot de qualidade é a soma de centena de detalhes no processo de vinificação. Também identificaram e plantaram clones superiores dessa uva complicada sob a teoria de que ninguém consegue criar vinho superior a partir de fruta inauspiciosa. A qualidade está melhorando na Austrália, agora que as vinhas foram plantadas no Yarra Valley frio e até na Tasmânia mais fria. Apesar de algumas produções excepcionais, no entanto, o país ainda é um pequeno participante no mercado de Pinot. Recentemente degustei duas dúzias de exemplos de Pinot australiano. Apenas quatro se destacaram. Em Oregon, existem muitos vinhos cativantes e com sabores intensos de cereja. Alguns exemplos têm a complexidade e profundidade do Borgonha de muita boa qualidade. Muitos dos melhores vinhos são produzidos em pequenas quantidades e vendidos a preços elevados (entre US$ 60 e US$ 100). A Califórnia ainda é a líder em Pinot no Novo Mundo, produzindo a mais ampla variedade de estilos e muitos lotes com riqueza e complexidade. O plantio de parreiras está explodindo em várias áreas promissoras que estão superando Carneros, incluindo o condado de Santa Barbara, Russian River Valley de Sonoma e distritos da costa de Sonoma. No condado de Mendocino e nas Terras Altas de Santa Lucia em Monterey, a alardeada Pisoni Vineyard fornece uvas para Pinots excelentes como o Patz & Hall 2000. O sucesso de Central Otago está apenas começando. Embora a maioria de suas vinícolas tenha menos de sete anos de idade, os vinhos dos quatro distritos da região exibem caráter impressionante e distinto: combinação de fruta intensa, condimento e minerais, textura rica e a complexidade do Velho Mundo. E custam muito menos do que outros Pinots do Novo Mundo de primeira linha. O próximo local de sucesso de Pinot? Poderá ser o Canadá. Boisset, um produtor borgonhês de vinho, está patrocinando novos vinhedos na região de Niágara e planeja lançar seu primeiro Pinot em 2005. Sempre há espaço para outro grande Pinot Noir.
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