Vinho ainda
provoca divergência
23 de Setembro de 2002 - A briga
sobre a proteção do vinho continua na Organização Mundial de
Comércio (OMC) entre tradicionais produtores, como França, Itália
e Espanha, de um lado, e os novos produtores, como Austrália,
Argentina, Chile e África do Sul.
A União Européia, impulsionada
pelos franceses, italianos e espanhóis, quer acelerar um acordo
sobre um sistema multilateral de notificação e registro de
indicações geográficas para vinhos e destilados (uísque,
tequila, conhaque etc) para preservar seus produtores.
Mas os chamados novos produtores,
que ganham cada vez mais mercado, inclusive na Europa, não têm
pressa e condicionam o desbloqueio das discussões a avanços em
outras áreas das negociações na OMC. Além disso, vários deles
também se opuseram à proteção adicional para outros produtos,
além de vinhos e destilados, como quer a UE.
Pelo Acordo de Trips (propriedade
intelectual) da OMC, identificação geográfica denomina um
produto como "originário de um território de um país
membro, ou de uma região ou localidade naquele território, onde
um certo tipo de qualidade, reputação ou outra característica
do produto é essencialmente atribuída à origem geográfica".
O Brasil acompanha a discussão
porque também começa a exportar vinho, inclusive para a UE. É
verdade que foram apenas US$ 50 mil em 2001 enquanto o País
importava dos europeus mais de US$ 1 bilhão. Mas acha que um
acordo de indicações geográficas pode abrir mercado na Europa.
O problema é a contrapartida. Do
jeito que os europeus querem proteger indicações geográficas,
que agregam valor aos produtos, o Brasil pode sofrer forte restrição.
Um regulamento comunitário (881-98) protege expressões
tradicionais como ‘extra’, ‘fino’, ‘amadurecido’,
‘colheita’, ‘leve seco’ e ‘idade’, o que é incompatível
com vários acordos da OMC e com a Convenção de Paris sobre
Propriedade Industrial.