Biotecnologia altera pinheiro
 
      São Paulo, 13 de Setembro de 2002 - Cientistas buscam reprodução rápida, além de resistência a pragas. Pesquisadores da Estação Experimental Agrícola do Texas desenvolveram uma variedade de pinheiro geneticamente modificado, mais resistente à estiagem e pragas. Trata-se do pinheiro loblolly, a espécie florestal de maior importância comercial nos Estados Unidos. A bióloga responsável pelo projeto, dr. Jean Gould, disse que o estudo mostra o acerto de uma conceito já demonstrado anteriormente com outros produtos, entre eles o milho, que visa criar espécies mais resistentes.

      O método de Gould, que consiste basicamente na inoculação de uma agrobactéria, foi patenteado em 1992. Além do milho, já foram submetidos a este processo o algodão e o arroz. Trata-se, segundo a pesquisadora, de uma maneira mais rápida e mais universal para a transformação das plantas, que garante também a regeneração das espécies tratadas.

      Os pinheiros loblolly se espalham por 29 milhões de acres nos estados do Sul dos Estados Unidos, segundo dados do serviço florestal. Uma das características da espécie é o crescimento rápido - a árvore adulta vive por 75 anos. Entretanto, ela só alcança maturidade para reprodução depois de 10 anos de germinação, o que dificulta os projetos de reflorestamento.

      "Enquanto algumas espécies têm passado por processos seletivos de aprimoramento há mais de 10 mil anos, os programas de melhoria genética dos pinheiros têm menos de 100 anos", disse Gould. Embora avanços significativos tenham sido alcançados, segundo a pesquisadora, novas conquistas podem permitir a produção de árvores mais sadias, com maior resistência ao stress ambiental, insetos e doenças. Ela também acredita que a produção de árvores voltadas para a industrialização da madeira ainda tem muito a avançar com as novas tecnologias.

      Entre 10% e 30% das plantas que se submeteram a este método, que se baseia no tratamento do meristema por inoculação, foram regeneradas. Não apenas sobreviveram, mas as análises de laboratório mostraram a transferência dos genes que garantem maior resistência. "Os resultados indicam que o método de inoculação pode ser usado na engenharia genética para a melhoria de espécies de grande importância", disse Gould. O processo tradicional, que se baseia no cruzamento de plantas com determinadas características, era muito lento e pode ser acelerado com o uso da biotecnologia.

      Pesquisas anteriores já haviam garantido o aprimoramento de espécies como o pinheiro afegão, virginia e monterey, mas até agora isto não tinha sido possível com o loblolly. "Há um amplo espectro de aplicações desta tecnologia na melhoria genética de todos os pinheiros utilizados com fins comerciais", prevê a dr. Gould. O estudo foi publicado pela Estação Experimental Agrícola do Texas na revista Molecular Breeding.

      (Gazeta Mercantil/Página C5)(Carlos Taquari)
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