Bayer prevê crescimento nas vendas de defensivos
 
  11 de Julho de 2002 - A Bayer CropScience inicia suas atividades no Brasil com a promessa de ser bastante agressiva. A meta da empresa é elevar em 4% as vendas anuais. Em 2001, o mercado de defensivos agrícolas movimentou US$ 2,3 bilhões, com participação de 20% da companhia. "Certamente iremos crescer acima do mercado" diz César Rojas, novo presidente da empresa para o Cone Sul (Brasil, Argentina, Paraguai, Bolívia e Uruguai).

      Resultado da compra da Aventis pela Bayer por 7,25 bilhões de euros em junho, a Bayer CropScience já nasce gigantesca no Brasil: é a líder em inseticidas com 44% de participação e em fungicidas com 22%. Em herbicidas, a empresa é vice-líder, com 31%.

      Com a compra da Aventis, a Bayer pulou sete posições no ranking brasileiro de vendas e hoje ocupa a liderança. Somando as vendas das duas empresas, foi obtida uma receita de US$ 564 milhões em 2001. A segunda colocada é a Syngenta, resultado da fusão dos negócios químicos de Novartis e Astrazeneca, com US$ 364 milhões.

      Sem cortes

      No Brasil, terceiro maior mercado da Bayer, o casamento parece ser perfeito. Enquanto no exterior, a empresa se reestrutura, não haverá redução no número de fábricas ou empregados no Brasil.

      A competição, contudo, será intensa, já que há rivais de peso como Syngenta, Basf, Milenia e Monsanto. "Temos grandes competidores e é preciso defender nosso mercado", diz Rojas. "Por isso investimos em tecnologia e temos a maior equipe técnica no campo." Os planos de Bayer CropScience são de investir US$ 11 milhões em pesquisa e desenvolvimento no País. A empresa tem 850 técnicos no campo e 16 escritórios nas principais zonas de produção brasileiras.

      Mas a tarefa de Rojas, um peruano que trabalhava na Aventis, será complicada. A crise cambial tem atrapalhado o setor. Desde maio, o real desvalorizou 17,2% sobre o dólar, elevando os custos das empresas de defensivos, que importam a maioria dos produtos.

      O recado de Jochen Wulff, CEO do grupo, é claro. "O que eu espero do César é que os preços sejam elevados de acordo com a desvalorização. Não podemos perder dinheiro", disse em recente entrevista. Mas por ser um mercado competitivo, Rojas se recusa a falar em porcentagens ou em prazo para o aumento.

      Wulff criticou a falta de financiamento do setor agrícola brasileiro - papel às vezes assumido pela indústria. "Com o tamanho que atingimos no Brasil hoje, temos que encontrar um meio termo entre crescimento futuro e financiamento. Não podemos financiar todo esse crescimento, senão teremos fluxo de caixa negativo."

      Também para reagir à desvalorização, a Bayer CropScience pretende reduzir o portfólio, que hoje inclui 160 produtos. O tamanho do corte, porém, não foi definido.

      A proibição de que sejam intercambiadas informações entre Aventis e Bayer está retardando o processo. Apesar de aprovada pelos órgãos regulatórios da Europa e dos Estados Unidos, a venda da Aventis está sendo analisada no Brasil pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

     

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