Reunião internacional sobre biodiversidade poderá criar estratégia para Florestas

18/10/2002
Os países detentores da maior parte da biodiversidade do planeta, entre os quais o Brasil, estão pressionando uma conferência das Nações Unidas a criar um mecanismo internacional de proteção de florestas.
O acordo seria uma tábua de salvação da COP-6 (Sexta Conferência das Partes) da Convenção da Biodiversidade, criada durante a Eco-92, no Rio de Janeiro. A conferência, iniciada no último domingo em Haia, Holanda, deveria impulsionar a implementação da convenção. Mas luta contra uma agenda extensa demais e corre o risco de acabar sem decisões relevantes.
Entre os principais temas a serem discutidos estão as espécies invasoras e a divisão dos benefícios pelo uso de recursos genéticos pertencentes a países pobres e comunidades tradicionais.
No entanto, a decisão de repartir grandes somas de dinheiro de royalties não agrada nem um pouco às multinacionais farmacêuticas, o que pode dificultar a aprovação de um acordo legal, segundo o diretor do Programa das Nações Unidas para o Ambiente, Klaus Töpfer.
O chamado grupo dos países megadiversos (como Brasil, México, China, Peru, Colômbia e Indonésia), que detêm 70% da diversidade biológica do planeta, criado em fevereiro, estréia na COP-6 insistindo para que o acordo sobre biodiversidade florestal contemple, além de conservação, uso sustentável e divisão de recursos.
"Este é um momento em que a convenção pode passar à implementação ou enfraquecer de vez", disse Nurit Bensusan, do ISA (Instituto Socioambiental), que acompanha o encontro.
O Brasil, que sediou a Eco-92 e tem sido alvo de pressões de ambientalistas para assumir a liderança nas discussões sobre florestas, está propondo iniciativas como uma estratégia global de conservação de plantas. "Precisamos trabalhar com metas [de conservação" e solicitar cooperação do Primeiro Mundo", disse à Folha Bráulio Dias, diretor de Biodiversidade do MMA (Ministério do Meio Ambiente).
Outra proposta brasileira à conferência é a criação de corredores ecológicos em áreas agrícolas para reverter a perda de polinizadores, como pássaros e insetos. "A idéia é incorporar à agricultura um serviço ambiental [a polinização das plantas de interesse agrícola" e aproximar o setor agrícola ao de conservação", afirmou Dias.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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