Selo verde fortalecerá extrativismo adequado

 

Vitória, 29 de Julho de 2002 - As empresas e comunidades que exploram os produtos florestais não madeireiros da Mata Atlântica no País, que respeitam a natureza, os direitos de seus empregados e desenvolvem uma atividade com a terra considerada economicamente viável, vão conquistar um diferencial no mercado, com o lançamento do selo verde, depois do mês de agosto. O Conselho Brasileiro de Manejo Florestal (FSC Brasil) e a organização não-governamental WWF Brasil finalizam a discussão que tem como foco a definição de padrões e critérios nacionais, para a certificação das áreas com esse perfil. As pessoas que exploram de modo adequado os recursos naturais dessas áreas poderão distinguir seus produtos com o selo verde. Por meio desse processo de classificação, poderá ser enquadrado quem, por exemplo, produz erva mate, piaçava, resina, palmito, cipós, plantas ornamentais e medicinais, além de produtos de origem animal, como mel ou própolis.

 

A proposta tem por objetivo atribuir valor a áreas cobertas por remanescentes de Mata Atlântica, numa tentativa de preservá-las, conforme o secretário executivo do FSC, Brasil Walter Suiter Filho. Em todo o Brasil, existem 7,3% de áreas cobertas por essas espécies, que representam 131 milhões de hectares - embora a Unesco reconheça apenas 35 milhões deles como reserva da biosfera.

 

Esses dados são do representante do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, Domingos Bernardi Neto, que estimou a presença de aproximadamente 120 mil pessoas vivendo em torno dessa região no território brasileiro. A maior extensão de terra coberta por Mata Atlântica fica no Vale do Ribeira (SP). No sul da Bahia, há áreas com a maior biodiversidade - uma média de 476 espécies de árvores por hectare, fora outras plantas.

 

Um documento, listando os critérios e princípios a serem respeitados pelos produtores interessados, esteve em pauta na quinta e sexta-feira , em Vitória, no Espírito Santo. A versão final sairá em novo encontro, programado para Florianópolis (SC), no final de agosto. O enquadramento para receber o selo verde utiliza dois tipos de certificação. O manejo florestal adequado é um deles. O outro aspecto é o conceito de cadeia de custódia, por meio da qual os produtos são rastreados desde sua origem na floresta até o consumidor final. A intenção, conforme Suiter Filho, é diferenciá-los dos que não têm o selo verde.

 

O selo é visto pelo FSC como "diretamente ligado ao interesse econômico de exploração da mata". O caso da erva mate (uma árvore) foi citado por Bernardi Neto como um exemplo de atividade que mantém 700 mil pessoas empregadas no País, representando o mesmo número da indústria automobilística, segundo ele. A primeira propriedade avaliada no manejo de erva mate fica na região de Ilópolis (RS). Uma outra de manejo de caixeta (usada para fazer lápis, instrumentos musicais, artesanato, entre outros) fica no Vale do Ribeira (SP). Ambas são pequenas propriedades, pertencentes a pessoas físicas e micro empresas.

 

Helena Maltez, coordenadora do Programa Mata Atlântica da WWF Brasil, por sua vez, denunciou que, atualmente, 50 toneladas de plantas medicinais, na Região Sudeste, são retiradas, por mês, de forma irregular, acarretando um forte impacto na natureza. "Com o selo a meta é disciplinar a atividade e valorizá-la, obedecendo os critérios estipulados".

 

A certificação é um procedimento recente, iniciado pelo FSC Brasil há seis anos. A entidade elegeu, primeiro, o enquadramento de áreas de floresta plantada para produção de madeira na Mata Atlântica. Depois, foram fixadas normas para classificar as florestas nativas da Amazônia para produção de madeira.

 

 

 

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