Âmbar

José Reis

em homenagem
especial para a Folha

Sep. 29, 02

O paleontólogo David Grimaldi, especialista em invertebrados fósseis do American Museum of Natural History, em Nova York, organizou e realizou uma exposição sobre âmbar, para mostrar ao público esse precioso material e informar sobre sua natureza, sua história, seus usos ao longo dos tempos. Para isso, Grimaldi contou com a colaboração dos laboratórios do próprio museu e de outras instituições congêneres de todo o mundo.
Existente desde os tempos pré-históricos, o âmbar figura nas mitologias de praticamente todos os países. Para os gregos, representava a transformação das lágrimas vertidas pelas filhas de Apolo pela morte do irmão. Entre os etruscos, povo que habitou a região central da Itália ao redor do sexto século a.C., valia tanto quanto o ouro.
O âmbar era a resina de árvores fósseis que, quando feridas, deixavam escorrer o líquido, talvez como meio de defesa. Dessecada, o que ocorria logo, a resina fechava as feridas que a originaram e englobava tudo o que estivesse em seu caminho. Fossilizada, acabou servindo como um "instantâneo" para a posteridade do que se passava na natureza, os encontros entre animais e vegetais, o parasitismo, os hábitos etc. Quando o líquido escorria sem nenhum obstáculo, secava na forma de âmbar puro.
Às vezes, grandes correntes de líquido secavam e constituíam formações que caíam e, caso o fizessem na água, o tempo se encarregava de transformá-las em longos filamentos impermeáveis, parecidos com plástico.
Entre os objetos encapsulados no âmbar, alguns se têm destacado por sua antiguidade, como é o caso de pequeninas flores supostamente de carvalho, que têm cerca de 90 milhões de anos.
O âmbar teve e tem ainda muito uso como matéria-prima para joalheria e muitas indústrias desse tipo se estabeleceram nos velhos tempos na Escandinávia, onde eram muito abundantes as árvores (geralmente do grupo das pináceas) produtoras de resina. A cor mais comum do âmbar é um amarelo todo especial, com reflexos dourados, mas há também várias outras cores, como leitoso, azul, vermelho etc.
Outro uso importante foi como medicina mística, o que todavia cessou com o Renascimento. Restaram os usos como joalheria e como objeto de pesquisa científica. Já se anunciou, mas foi contestado, o isolamento de DNA de animais e vegetais, que forçosamente se degenera com tantos milhões de anos. Também se tem dúvida sobre a descoberta recente de bactérias que teriam sido revivificadas nos meios de cultura atuais.
De toda a exposição, o que mais impressionou, sem dúvida, foi a história dos painéis mandados fazer por Frederico 1º da Prússia para um quarto que instalou em seu palácio em Berlim. Os painéis eram constituídos de ladrilhos de âmbar, perfeitamente ajustados entre si, nos quais artistas esculpiram os mais diversos motivos, inclusive emblemas da Prússia. Esses painéis foram doados pelo filho de Frederico a Pedro, o Grande, da Rússia. Quando Hitler invadiu a região, tomou conta deles. Depois disso desapareceram, talvez como resultado de bombardeio aéreo. Ou talvez ainda existam, espalhados por coleções particulares.

 

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