Sistema de Manejo de Pastagens de Brachiaria humidicola
Newton
de Lucena Costa
- Embrapa Amapá
João
Avelar Magalhães – Embrapa Meio Norte
Claudio
Ramalho Townsend – Embrapa Rondônia
Ricardo
Gomes de A. Pereira – Embrapa Rondônia
No
manejo de pastagens o principal objetivo é assegurar a
produtividade animal, a longo prazo, mantendo sua estabilidade e
persistência. Para que se possa alcançar alta produção animal
em pastagens, três condições básicas devem ser
atendidas: a) alta produtividade de forragem com bom valor
nutritivo, se possível, com distribuição estacional
concomitante com a curva anual dos requerimentos nutricionais dos
animais; b) propiciar aos animais elevado consumo voluntário,
e c) a eficiência de conversão alimentar dos animais deve ser
alta. Dentre os fatores de manejo que mais afetam a utilização
das pastagens, destacam-se a carga animal e o sistema de pastejo.
A
carga animal ou intensidade de pastejo influi na utilização da
forragem produzida, estabelecendo uma forte interação com a
disponibilidade de forragem como consequência do crescimento das
plantas, da defoliação e do consumo pelos animais. Já, o
sistema de pastejo está relacionado com os períodos de ocupação
e descanso da pastagem e tem por finalidade básica manter uma
alta produção de forragem com bom valor nutritivo, durante a
maior parte do ano, de modo a maximizar a produção por animal
e/ou por área.
Após
o pastejo, metabólitos e/ou fotoassimilados para produção de
novos afilhos, folhas e raízes provêm da fotossíntese ou de
reserva orgânicas previamente acumuladas nas raízes e pontos de
crescimento durante o intervalo entre pastejos. Deste modo, os
sistemas de pastejo devem ser adotados visando proporcionar à
planta forrageira condições para a rebrota rápida e vigorosa.
No caso de B. humidicola,
face ao seu hábito de crescimento prostrado, há uma proteção
razoável de seus pontos de crescimento, o que permite a utilização
de pressões de pastejo maiores, comparativamente às espécies de
hábito cespitoso. Avaliando-se os efeitos de três frequências
(21, 42 e 63 dias) e duas intensidades de pastejo (5-10 e 20-25 cm
acima do solo) sobre a produtividade e composição química de B.
humidicola, constatou-se que a maior disponibilidade de matéria
seca foi obtida com o pastejo baixo (14,9 t/ha), em relação ao
alto (7,4 t/ha), com um declínio da produtividade à medida que
se aumentava o intervalo entre pastejos, sendo 14,5; 9,7 e 9,4
t/ha, respectivamente para pastejos a cada 21, 42 e 63 dias.
Quanto aos teores de PB e coeficientes de digestibilidade in
vitro da matéria seca (DIVMS), houve uma tendência de redução
com o aumento do período de descanso. Deste modo, concluiu-se que
o manejo mais adequado para a gramínea seria o pastejo contínuo
ou a alternância de períodos curtos de descanso (menores ou
iguais a 21 dias) e uso de cargas animal adequadas para manter a
pastagem com cerca de 10 cm de altura. A capacidade de suporte média
para pastagens de B.
humidicola, estimada em função da taxa de acumulação de
matéria seca foi determinada em 3,4 UA/ha (UA igual 450 kg de
peso vivo) durante o período chuvoso e de 1,1 UA/ha no período
seco. Em Rondônia, verificou-se que a utilização de 3,2 an/ha
implicava numa redução de 20% na disponibilidade de MS de
pastagens de B. humidicola,
comparativamente a 1,8 an/ha, ocorrendo o inverso quando a
pastagem foi adubada com 50 kg de P2O5/ha, ou seja, um incremento
de 11%. No entanto, utilizando-se o mesmo nível de adubação
fosfatada, foram observados decréscimos na disponibilidade de
forragem de B. humidicola
à medida que se aumentava as taxas de lotação (2,7; 1,8 e 1,5
t/ha, respectivamente para 2, 3 e 4 novilhos/ha). Em pastagens de B.
humidicola, submetidas à pastejo contínuo por bubalinos, não
foram detectados efeitos significativos da carga animal sobre a
produção de forragem (rendimentos médios de 6,7; 6,9 e 6,6 t
MS/ha, respectivamente para 1,0; 1,5 e 2,0 an/ha).
No
manejo de pastagens consorciadas deve-se assegurar a sua
estabilidade, notadamente da leguminosa, tida como componente mais
valioso e instável da associação. Em pastagens de B.
humidicola consorciadas com Desmodium
ovalifolium, a proporção da leguminosa foi diretamente
correlacionada à carga animal, sendo de 44, 51 e 78%,
respectivamente para 2,0; 3,0 e 4,0 novilhos/ha. Já, na mistura
com Pueraria phaseoloides,
independentemente da carga animal, a percentagem de leguminosa na
pastagem foi bastante equilibrada, oscilando entre 12 e 25%. Do
mesmo modo, em Rondônia, após um período de avaliação de três
anos, verificou-se que a percentagem de leguminosas (Stylosanthes
guianensis, Centrosema
pubescens e P.
phaseoloides) em pastagens de B.
humidicola, não foi influenciada pela carga animal (15 e 20%,
respectivamente para 1,8 e 3,2 an/ha). Tendências semelhantes
foram relatadas para pastagens de B.
humidicola consorciada com D.
ovalifolium e Arachis
pintoi. Contudo, constataram-se reduções significativas na
percentagem de P.
phaseoloides em pastagens de B.
humidicola, à medida que a carga animal foi elevada (14,8;
6,2 e 4,0%, respectivamente para 2,0; 3,0 e 4,0 an/ha). Para as
condições ecológicas de Pucallpa, Peru, recomenda-se para
pastagens de B. humidicola consorciadas
com D. ovalifolium ou P.
phaseoloides, a utilização de cargas animal não superiores
a 2,0 UA/ha e períodos de descanso não inferiores a 28 dias.
Desta forma, além da manutenção da produtividade e persistência
da pastagem, ter-se-á um balanço gramínea-leguminosa bastante
equilibrado, mantendo-se uma proporção, em relação à
disponibilidade de matéria seca verde total, entre 5 e 15% para D.
ovalifolium e, 30 a 50% para P.
phaseoloides.
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