Análise
dos dados de devastação provoca conflito entre agências
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02/10/2002
A apresentação dos resultados de desmatamento na Amazônia foi
recebida com cautela pela Scam (Secretaria de Coordenação da
Amazônia) do Ministério do Meio Ambiente. Para o órgão, os números
podem estar alimentando um otimismo infundado.
"Estamos um pouco inseguros. Preocupa-nos saber se houve
mesmo uma queda", disse à Folha a secretária Mary
Allegretti.
Para começar, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)
precisou explicar um erro feito na projeção do biênio anterior
(1999/2000). Segundo o instituto, a margem de erro entre a projeção
e os dados consolidados daquele período não passava de 4,5%.
Entretanto, fazendo as contas entre a projeção e o resultado
final, o valor a que se chega é quase o dobro, 8,1% (19.836 km2
desmatados pela projeção, uma alta de 15% em relação ao biênio
anterior, e dados finais de 18.226 km2). O conflito
colocou em xeque a qualidade das estimativas iniciais.
O Inpe afirma que seus números continuam sólidos. Uma das páginas
do relatório que o instituto pretende divulgar a partir de hoje
na internet (www.inpe.br)
se dedica a explicar o que aconteceu.
Segundo João Roberto dos Santos, coordenador do trabalho do Inpe,
o erro não passou mesmo de 4,5%. Houve, sim, uma falha na projeção
inicial, causada por problemas no novo programa de computador que
o instituto criou para calcular a estimativa.
As projeções do Inpe são feitas com cerca de 50 imagens, de um
total de 229, que procuram representar as áreas mais afetadas da
Amazônia Legal. "Projetamos o valor para toda a floresta com
base nessas 50", diz Santos.
Pela metodologia de análise das imagens adotada pelo instituto, o
valor para os 49 quadros usados na projeção de 1999/2000 deveria
ter sido 14.603 km2. Mas o valor oferecido pelo
programa foi de 15.184 km2. Daí a discrepância.
A Scam resolveu não adotar a análise do Inpe para planejar suas
atividades de intervenção na Amazônia. "É um dado
importante, mas para fins de intervenção não é um instrumento
adequado", diz Allegretti.
Segundo Allegretti, uma das dúvidas em relação à metodologia
do Inpe é sobre o sistema de amostragem usado para projetar o
desmatamento. Ao analisar imagens de satélite de áreas muito críticas,
corre-se o risco de focalizar a projeção em regiões muito
alteradas, onde já não há mais o que desmatar.
As políticas do MMA para a Amazônia estão se baseando numa
outra metodologia de análise de imagens de satélite, adotada
pelo Estado de Mato Grosso para o licenciamento de propriedades
rurais e que está sendo implantada em Rondônia e no Pará.
O Inpe enviará uma equipe para fazer uma auditoria sobre a
metodologia de Mato Grosso na semana que vem, para esclarecer as
diferenças de resultado.
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