A ainda desconhecida Amazônia
 
     
02/10/2002

 A Amazônia brasileira tem índios em situação difícil. A Amazônia, se de um lado sofre pressões terríveis por causa da expansão agrícola e da extração ilegal, também tem movimentos populares locais que querem viver da floresta e ainda garantir que os seus netos consigam ter a mesma opção. A Amazônia, principalmente para quem está de longe, no Sul ou Sudeste do país, tem ainda imagens, muitas imagens que apesar de belas às vezes não sensibilizam os moradores de outras regiões do Brasil. O fluxo turístico estrangeiro, por exemplo, é muito maior que o local em certas regiões distantes da floresta.

      Todos estes assuntos, e várias outras formas de expressão cultural, artística ou social provenientes da floresta estarão representados em São Paulo até o dia 18 de agosto no evento nomeado como Amazoniabr. Segundo a programação oficial da mostra, que está sendo realizada no Sesc Pompéia, o ciclo de palestras que ocorrerão de forma paralela à exposição será aberto hoje, às 9h30, no teatro do Sesc.

      Na primeira semana do ciclo estão programadas duas conferências. A primeira delas terá como tema Povos indígenas da Amazônia e a situação indígena da Amazônia. Vários indigenistas e líderes indígenas da região amazônica estarão no debate, segundo informa a organização do evento que procura trazer, a São Paulo, um pouco dos problemas, e também as histórias socioculturais que a Amazônia já pode oferecer, apesar de toda a destruição sofrida. Ainda segundo a programação oficial, na terça-feira, às 17h30, no auditório do Sesc Pompéia, haverá uma palestra sobre o trabalho das parteiras do Amapá.

      Além da grande exposição sobre a Amazônia e ainda do ciclo de conferências, haverá eventos específicos de moda, design e oficinas teatrais. Eventos teatrais e de literatura além de shows e apresentações de vídeo também poderão ser vistas pelo visitante. Toda a programação está disponível no site: www.amazoniabr.net. Atualmente, 400 iniciativas promovem atividades de desenvolvimento sustentável na região amazônica.

      Uma destas atividades, inserida dentro do contexto da educação ambiental, é desenvolvida pela ONG Saúde e Alegria. Desde 1983 na Amazônia, quando chegou para uma missão científica pela Fundação Oswaldo Cruz, o médico Eugênio Scannavino Netto nunca mais deixou a região. Ele se radicou em Santarém, Pará, onde permaneceu cinco anos trabalhando no pronto-socorro da cidade, no atendimento às populações locais. Em 1987, ele criou a ONG que agora, ao completar 15 anos, organizou este grande projeto em São Paulo, com a parceria do Sesc.

      A Saúde e Alegria atua em 16 comunidades ao longo dos rios Tapajós, Amazonas e Arapuins. São 20 mil pessoas que recebem assistência médica e ainda lições de educação ambiental. A filosofia de seus membros é sempre relacionar a própria população com o meio ambiente em que ela vive. Com os instrumentos adequados, acreditam os educadores, cada indivíduo poderá agir de forma consciente e construtiva com o seu hábitat.

      Um dos programas de desenvolvimento comunitário integrado criados pela entidade sem fins lucrativos é o "Mulher Cabocla". Neste programa, a intenção é capacitar as mulheres de forma geral, além de fornecer informações para que tenham, por exemplo, uma boa saúde reprodutiva. Educar as mulheres amazônicas para o trabalho, fornecer lições sobre economia doméstica e ainda subsídios para que indústrias caseiras sejam criadas é outra forma de atuação da ONG dentro da floresta amazônica. Todos os elementos da comunidade, como os jovens e as crianças, são também alvos dos programas desenvolvidos pela ONG Saúde e Alegria.

     

 

 
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