Governo aponta declínio de 13% em desmatamento
Análise
do Inpe anunciada ontem consolida os dados de 1999/2000 e oferece
estimativa para 2000/2001
O governo federal anunciou ontem uma queda projetada de 13,4% na
taxa anual de desmatamento da Amazônia, que foi de 18.226 km2
entre 1999 e 2000, para 15.787 km2 em 2000/2001.
Apesar de serem, a princípio, uma boa notícia, os dados foram
recebidos com cautela pelo próprio governo, devido a um erro na
projeção do biênio anterior (leia texto na pág. A16).
No total, 15% da floresta amazônica -600 mil km2 de uma área de
cerca de 4 milhões de km2- já foram desmatados. Aproximadamente
120 mil km2 de área desmatada estão abandonados.
O estudo do desflorestamento é baseado em 229 imagens de satélite
feitas pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Mais
de 80% da taxa de desmatamento se concentra em 21% da área
estudada. Do total desmatado entre 1998 e 2001, 70% foi realizado
em 43 municípios.
A margem de erro da estimativa é de 2,5 pontos percentuais.
Satisfação parcial
Apesar de o presidente Fernando Henrique Cardoso ter elogiado a
queda projetada do índice e atribuído a boa notícia ao trabalho
do Ministério do Meio Ambiente, apenas a "tendência de declínio"
foi celebrada pelo ministro José Carlos Carvalho.
"O governo ainda não está satisfeito com a taxa",
disse Carvalho.
Para os ambientalistas, é cedo para dizer que o desmatamento está
de fato caindo. "A flutuação dos números não mostra uma
queda consistente durante o tempo", disse Paulo Moutinho, do
Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).
O declínio foi constatado em 97/98. No período anterior (96/
97), foi registrado o menor índice de desmatamento do governo
Fernando Henrique Cardoso: 13.227 km2, redução se seguiu a uma
explosão catastrófica no desmatamento em 1994/95 (veja o quadro
acima, à direita).
O governo citou como fatores que levaram à redução do
desmatamento a atualização da legislação do setor, a contenção
dos assentamentos na região e o apoio logístico das Forças
Armadas na fiscalização da floresta.
"Antes os instrumentos do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis" eram inócuos
para prevenir o desmatamento. Apenas se punia", disse
Carvalho, lembrando que os infratores preferiam pagar as
"multas irrisórias" impostas pelo órgão.
Hoje o desmatamento é crime e as multas ambientais variam de R$
4.900 a R$ 50 milhões.
Para o governo, o declínio será mantido devido à futura
implantação do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), à
contratação de técnicos concursados e ao zoneamento ecológico
da região.
A fiscalização é feita por observação aérea, apelidada de
"sistema tupiniquim", porque não usa tecnologia de
ponta, no qual técnicos sobrevoam a região e apontam os locais
onde está ocorrendo, em tempo real, o desmatamento. O
desflorestamento é paralisado em seguida.
O zoneamento deve estar completo nos municípios críticos até
2003 e determinará quais são as áreas onde o desmatamento é viável
para o desempenho de atividades como a agropecuária. O
licenciamento do Ibama seguirá o modelo usado em Mato Grosso, que
inclui imagem de satélite do local.
Também deverão ser priorizados projetos econômicos de uso do
solo que não precisem recorrer ao desflorestamento.
Segundo o ministério, 189 milhões de metros cúbicos de madeira
em tora foram apreendidos no ano passado, 78% a mais que em 2000.
A quantidade de madeira serrada confiscada cresceu 66%, chegando a
33 milhões de metros cúbicos.
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