Expedição avalia impacto de hidrovia

Pesquisadores navegam rio Paraguai e montam plano de conservação


Visão aérea de uma região do Pantanal tomada em abril de 2002





Um relatório a ser divulgado no final deste mês por um grupo de ambientalistas mostra que o progresso pode ter um custo alto para a região do rio Paraguai, no Pantanal, se não for bem planejado.
O relatório é resultado de uma expedição integrada por 15 pesquisadores, que passou cinco dias navegando pela região em abril, para determinar formas de preservar o ecossistema pantaneiro.
A expedição foi promovida pela coalizão Rios Vivos, uma organização que reúne diversas ONGs ambientalistas de vários países, com financiamento do Comitê Holandês para a União Internacional para a Conservação da Natureza. Segundo Rafaela Nicola, a coordenadora do projeto, o relatório sobre a viagem deve ser publicado no site da organização (www.riosvivos.org.br).
Saindo de Cáceres, em Mato Grosso, a equipe rumou para o sul, chegando ao destino final da viagem, Corumbá, em Mato Grosso do Sul, no dia 30 de abril. Durante todo o percurso, o grupo estudou não só as condições da fauna e da flora pantaneira, mas também a situação de ribeirinhos e indígenas. Mas o que mais preocupa os ambientalistas é o impacto da navegação sobre a área.
"Pudemos perceber que há trechos do rio em que a navegação é muito difícil e causa bastante impacto sobre a vegetação nas margens", diz Nicola. Segundo ela, a preocupação deve só aumentar, em razão do projeto de construção da Hidrovia Paraguai-Paraná, o que intensificaria o trânsito de embarcações no rio.
Atualmente, o projeto está aguardando o resultado de um estudo de impacto ambiental, já encomendado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), mas ainda não realizado. Um anterior já havia sido produzido, mas os ambientalistas consideraram-no irrealista e pressionaram o governo por um novo.
Ao fim do percurso, o grupo entregou ao ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, uma carta expressando preocupações com relação à hidrovia e pedindo maior integração nas ações de conservação do Pantanal.
"A grande meta da expedição", afirma Nicola, "é a criação de diretrizes mais precisas para um plano de conservação do Pantanal." Uma primeira versão dessas diretrizes, ela informa, já está sendo produzida pelo pessoal ligado à Rios Vivos. A meta do grupo ambientalista é tê-la concluída até o final do mês que vem.

 

 
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