Madeireiras do Pará monitoram fauna
02/10/2002
Um dos buracos científicos do chamado manejo florestal de baixo
impacto está começando a ser tapado na Amazônia. Madeireiras
certificadas pelo FSC (Conselho de Manejo Florestal) no Pará estão
começando a monitorar o impacto da atividade de extração sobre
a fauna local, uma informação tão preciosa quanto ignorada
pelas empresas.
A idéia é descobrir como e em quanto tempo a fauna de uma dada
parcela de floresta se recupera após a derrubada seletiva de
madeira. O dado é importante não só para a certificação -para
receber o selo, a empresa precisa garantir que a atividade está
causando dano mínimo à floresta-, como também para a sustentação
do manejo a longo prazo, já que 90% das sementes na floresta
tropical são dispersadas por animais.
Técnicos das madeireiras Cikel, Juruá e Emapa (que ainda não
recebeu o selo do FSC) receberam um treinamento do Núcleo de
Altos Estudos da Amazônia da Universidade Federal do Pará e do
Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e estão
monitorando populações de mamíferos, aves e insetos. "Os
donos de madeireiras não faziam isso antes, alegando falta de
know-how. Estamos descomplicando o processo para eles", diz a
bióloga Claudia Azevedo-Ramos, do Ipam, que coordena o curso de
monitoramento.
Um projeto-piloto realizado no Pará mostrou que composição da
fauna é afetada pela extração. "O número de espécies
permaneceu o mesmo [na área estudada], mas as espécies
mudaram", afirma Azevedo-Ramos. Segundo a bióloga,
madeireiras do Amazonas também receberão treinamento.
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