Brasil
aposta no futuro dos créditos de carbono
12/10/2002
Empresários
brasileiros apostam no potencial lucrativo e no futuro dos créditos
de carbono. Eles prometem manter os investimentos em projetos de
desenvolvimento limpo. "Com ou sem os Estados Unidos, mais
cedo ou mais tarde, o Protocolo de Quioto será ratificado ",
acredita Geraldo Moura, diretor do Grupo Plantar, empresa siderúrgica
do Vale do Jequitinhonha, Norte de Minas Gerais.
A indústria espera lançar nos próximos
21 anos 12 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente,
ou seja, que dão direito à venda de créditos. O projeto
consiste na produção de ferro gusa a partir da queima de carvão
vegetal. O projeto foi apresentado há dois anos ao Banco Mundial
(Bird). A empresa conseguiu um empréstimo de US$ 4,9 milhões e
usou os créditos de carbono como garantia. O grupo já vendeu 1,5
milhão de tonelada de carbono para o Bird. Cada tonelada foi
vendida por US$ 5,00. A intenção é obter com os créditos, no
prazo de 21 anos, entre US$ 40 e US$ 60 milhões.
A Bioenergia Cogeradora S/A,
empresa do setor sucro-alcooleiro ligada ao Grupo Balbo,
classificado entre os dez maiores do setor, com sede em Sertãozinho,
no interiror de São Paulo, também não perdeu tempo e firmou no
dia 7, com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
(PNUD) no Brasil, um acordo para desenvolverem projeto ligado ao
Mecanismo de Desenvolvimento
Limpo (MDL). A iniciativa é uma
mostra da confiança da empresa nos Certificados de Emissões
Reduzidas (CERs).
Clésio Antonio Baldo,
diretor-financeiro da empresa, diz que o projeto estará pronto até
31 de dezembro deste ano. A empresa ainda estuda quanto poderá
emitir em créditos com o projeto de geração de energia a partir
da cana-de-açúcar. Na opinião do diretor, o setor
sucro-alcooleiro tem um bom potencial para investir em MDL, dentro
dos projetos de coogeração de energia.
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