Brasil lança no ar menos carbono que o estimado
12/10/2002
As emissões de gás carbônico causadas pelo desmatamento na Amazônia
devem ficar abaixo das 200 milhões de toneladas estimadas por
alguns cientistas. O dado é de um relatório a ser divulgado em
agosto pelo MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia).
O relatório, ainda em fase de revisão pelo ministério, é o
inventário nacional das emissões de gases de efeito estufa. Sua
produção é uma das obrigações do Brasil para a Convenção do
Clima da ONU. Por ela, o país é obrigado a relatar que medidas
está tomando para combater o aquecimento global.
O setor energético brasileiro emite, anualmente, cerca de 70 milhões
de toneladas de carbono. Esse número leva em conta todas as emissões
causadas pela queima de combustíveis fósseis (petróleo e
derivados), o que põe o Brasil na confortável - mas não muito-
posição de 17º emissor mundial do principal gás ligado ao
aquecimento anormal da atmosfera.
No entanto, as emissões de carbono pelo desmatamento e de metano
(outro gás que contribui significativamente para o efeito estufa)
pelo rebanho bovino brasileiro prometiam, uma vez calculadas,
elevar a posição do Brasil no ranking dos principais emissores
para quinto ou sexto lugar.
Uma estimativa feita por cientistas que trabalham na Amazônia
calculava as emissões por desmatamento em 200 milhões de
toneladas anuais. Por essa estimativa, um habitante da região
Norte do país emitiria mais carbono do que um americano médio.
"O número é muito menor que isso", disse José
Domingos Miguez, do MCT, que coordena o estudo, que usou dados de
1990 a 1994 -portanto, defasados.
Miguez afirmou ontem, durante o 1º Encontro Internacional do Fórum
Brasileiro de Mudanças Climáticas, que a primeira versão do
trabalho deve ser apresentada em seminário no início de agosto.
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