A corrida pelo
carbono
12/10/2002
O Brasil já possui pelo menos seis experiências de "seqüestro de carbono" em curso. Metade delas está no Paraná. Os projetos são coordenados pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), em parceria com a norte-americana The Nature Conservancy, que atua em 30 países e possui a maior rede de reservas privadas do mundo.
Os três projetos ocupam uma área somada de 18 mil hectares nos municípios de Guaraqueçaba e Antonina (Litoral do Estado). Cada um é bancado por uma multinacional norte-americana –American Eletric Power; General Motors (GM), automobilística; e Texaco, petrolífera. Juntas, as três empresas investirão US$ 18,4 milhões, num prazo de 40 anos. Um terço dos recursos foi aplicado na compra das áreas. O restante está em um fundo de investimento e os juros são usados nos prjetos em curso.
Parte das áreas está coberta com floresta Atlântica nativa e o restante é formado por antigas pastagens de criação de búfalos. "Quanto mais degradada for a vegetação, mais carbono ela vai captar", explica André Rocha Ferreti, engenheiro florestal da SPVS. No entorno da Ilha do Bananal –a maior ilha fluvial do mundo, com 2 milhões de hectares, no Rio Araguaia, no Estado do Tocantins, dividida entre reserva indígena e parque nacional- o Instituto Ecológica, brasileiro e a AES Barry Foundation, inglesa, instalaram, há cinco anos, um centro de pesquisa sobre o seqüestro de carbono. O projeto atua em uma área de quase 1 milhão de hectares, numa zona de transição entre o Cerrado, o Pantanal e a Floresta Amazônica.
Também na região amazônica, mas ao norte de Mato Grosso, a multinacional automobilística francesa Peugeot investiu US$ 1 milhão na compra de 10 mil hectares de pastagens degradadas. A área é reflorestada com 30 espécies nativas pela empresa ONF Brasil, criada pela Peugeot, e a ONG brasileira Pró-Natura. O coordenador do trabalho é o economista americano Peter May, há 18 anos no Brasil, superintendente da Pró-Natura.
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