Dois eventos
reunirão especialistas em créditos de carbono
12/10/2002
As discussões em torno do desenvolvimento de um mercado de
Certificados de Emissões Reduzidas (CERs), ou créditos de
carbono, ganharam corpo em meados do ano passado, com a realização
de um seminário sobre o assunto em Londres e que teve sua segunda
versão em maio deste ano. O Brasil terá sua primeira conferência
nos dias 16 e 17 de outubro, quando também ocorrerá encontro na
mesma linha, nos Estados Unidos. As duas conferências são
promovidas pelo International Business Communications (IBC),
responsável pelo evento de Londres.
Protocolo de Quioto
O seminário de São Paulo, será o
mais amplo dos realizados pelo grupo. "O enfoque da versão
de Londres era o seqüestro de carbono, que é uma parte muito
pequena de todo este assunto", diz a gerente de projetos do
IBC Brasil, Carla Monteiro.
O Protocolo de Quioto prevê como
meta geral a redução da emissão de gases de efeito estufa em
5,2% entre 2008 e 2012, com base nos níveis de 1990. Esta redução
deve ser feita pelos países industrializados que podem, como
forma de compensação de metas, comprar créditos de carbono
gerados por projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)
realizados em países em desenvolvimento.
Os projetos de seqüestro de
carbono têm como base a absorção, ou o seqüestro, de CO2 pelas
árvores.
Segundo Carla, nas pesquisas para a
definição dos assuntos a serem abordados foram ouvidos
representantes dos setores de papel e celulose, de açúcar e álcool,
bancos, fundos de capital de risco e escritórios de advocacia.
"Há um interesse grande em discutir o assunto em todos os
aspectos, pois este é um setor em formação", diz.
Nos Estados Unidos, o seminário
acontecerá nos dias 24 e 25 de outubro, em Houston, Texas. Embora
os EUA tenham se recusado a ratificar o protocolo de Quioto, o
evento é uma demonstração de que o setor privado
norte-americano continua tocando projetos que envolvem a redução
de emissões de carbono, diz Marco Antonio Fujihara especialista
em desenvolvimento de projetos nesta área. Ele lembra que a Bolsa
de Chicago, que já negocia certificados de redução de gases de
efeito estufa, como enxofre, tem como meta desenvolver um mercado
para transações de créditos de carbono.
Certificação
Entre os temas acertados para o
debate na conferência brasileira estão a emissão de
certificados de emissões reduzidas (CERs) e sua comercialização
(estágios de formação de mercados), elaboração de projetos em
Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), e a apresentação do
Estudo de Caso - Projeto Plantar. Também serão discutidas as
barreiras tecnológicas, institucionais, organizacionais, de
mercado, ambientais, financeiras, jurídicas, sociais e políticas
para o desenvolvimento do mercado de créditos de carbono. Se
discutirá, ainda, a certificação dos créditos de carbono e a
regulamentação deste novo mercado. Um workshop liderado por
Fujihara (responsável pelo desenvolvimento do projeto Plantar) e
Alexandre Kossoy, consultor do Fundo Protótipo de Carbono (FPC)
do Banco Mundial, vai mostrar como devem ser estruturados os
projetos para emissão e comercialização de certificados de
carbono. Nos EUA, o evento será promovido pelo IBC Energy, uma
divisão do grupo voltada para o setor de energia, o principal
interessado nesta nova área de negócio. Serão discutidas
alternativas para tornar o mercado de créditos carbono lucrativo,
programas de seqüestro de carbono, e questões regulatórias
deste novo mercado. A conferência pretende também examinar
eventuais barreiras para o desenvolvimento de tecnologias e
programas de implementação de projetos de seqüestro de carbono.
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