Jovens cientistas ajudam a entender o funcionamento da Amazônia
12/10/2002
CNPq destinou R$ 2,5 milhões para treinamento de jovens
cientistas. Os futuros doutores e mestres da Amazônia, envolvidos
nas pesquisas de campo do projeto LBA (Experimento de Grande
Escala da Biosfera-Atmosfera da Amazônia), que avalia a contribuição
da floresta nas mudanças climáticas globais, trazem uma nova
perspectiva ao desenvolvimento sustentável da região. A capacitação
de novos recursos humanos para o projeto, com ênfase na Amazônia,
foi incentivada em parte pelo programa de bolsas de iniciação
científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq).
O Conselho destinou, em 1999, uma
verba de R$ 2,5 milhões para o programa de treinamento de jovens
cientistas do LBA. Os recursos financiaram 100 bolsas de
treinamento a estudantes, professores e pesquisadores ligados a
instituições de pesquisa e ensino da Amazônia. Previsto para
ser concluído em outubro deste ano o programa do CNPq distribuiu
30 bolsas de iniciação tecnológica e industrial, 46 bolsas de
desenvolvimento tecnológico e industrial e 10 bolsas para
especialista visitante.
O programa de capacitação desses
jovens, coordenado pelo Comitê de treinamento e Educação do
LBA, também reservou uma parte dos recursos para treinamento no
País e no exterior. "Os cursos no exterior são de curta
duração, mas permitem um contato dos estudantes com tecnologias
e métodos sofisticados de análise para serem usados no
LBA", explica a coordenadora do Comitê, Mercedes Bustamante.
Esse aprendizado, segundo Mercedes,
é útil também para a publicação de trabalhos científicos que
exigem treinamento muito específico e de alto nível. O Comitê
tem incentivado ainda os pesquisadores estrangeiros do LBA,
principalmente de países europeus e dos Estados Unidos, a
ministrarem cursos para os alunos do LBA.
Os bolsistas, de acordo com a
coordenadora, desenvolvem trabalhos nas diversas linhas de
pesquisa do LBA: dinâmica de carbono e nutrientes da floresta,
sensoriamento remoto, química da atmosfera, física do clima,
mudanças no uso da terra, entre outras. "A proposta do
programa é integrar essas áreas de conhecimento no sentido de
ajudar a entender o funcionamento da Amazônia em termos climatológicos,
ecológicos, hidrológicos e a sua influência no clima
global".
Cerca de 300 estudantes de diversos
níveis, brasileiros e estrangeiros, principalmente dos países
amazônicos, participam desse esforço de formação de recursos
humanos na área de mudanças globais, com foco na Amazônia.
"O objetivo maior é estimular a formação e a fixação
desses recursos humanos do LBA em instituições de pesquisa da
Amazônia", disse.
O retorno desse programa, segundo
Mercedes, já começou a acontecer. "A maioria dos bolsistas
de iniciação científica revelou a intenção de ingressar no
programa de pós graduação vinculado ao LBA, pois tinham
interesse em permanecer na região", conta. Os estudantes
envolvidos no projeto estão distribuídos nos diversos sítios
experimentais do LBA, localizados nos estados do Pará, Amazonas,
Rondônia, Mato Grosso e Tocantins.
O Comitê de Treinamento e Educação
do LBA viabilizou a participação de jovens pesquisadores
brasileiros na Conferência Internacional do Global Change Open
Science Conference, que abordará o tema "Challenges of
Changing World". O evento está sendo realizado em Amsterdam,
na Holanda até amanhã. Os recursos para a participação dos
brasileiros foram cedidos pela área de estudos de ecologia da
Nasa (Agência Espacial Americana) e pelo Consórcio de Torres
Brasil-União Européia.
A 2ª Conferência Científica
Internacional do LBA, que se realizou nesta semana em Manaus,
reuniu mais de 500 pesquisadores de 40 países, e teve como
objetivo a apresentação dos resultados das medições em campo
realizadas nos últimos dois anos. O projeto LBA, liderado pelo
Brasil, reúne pesquisadores de seis países amazônicos, oito
europeus, além dos EUA. Cerca de 40 instituições de pesquisa
brasileiras e 60 estrangeiras participam do programa.
Quase metade dos estudantes
brasileiros envolvidos no LBA já apresenta nível de pós-graduação.
Segundo Vânia Silva de Melo, bolsista do programa CNPq/LBA, a
bolsa está favorecendo a sua qualificação profissional, uma vez
que permite a dedicação integral à pesquisa que desenvolve no
projeto. "Um outro aspecto que considero importante é a
contribuição para o conhecimento da nossa região e o
fortalecimento da pesquisa em instituições tradicionalmente de
ensino, como é o caso da Faculdade de Ciências Agrárias do Pará",
afirma Vânia Silva de Melo.
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