Ecologia - Entenda

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Biodiversidade

Diversidade Biológica, ou Biodiversidade, refere-se à variedade de vida no planeta terra, incluindo: a variedade genética dentro das populações e espécies; a variedade de espécies da flora, da fauna e de microrganismos; a variedade de funções ecológicas desempenhadas pelos organismos nos ecossistemas; e a variedade de comunidades, habitats e ecossistemas formados pelos organismos. Biodiversidade refere-se tanto ao número (riqueza) de diferentes categorias biológicas quanto à abundância relativa (equitabilidade) dessas categorias; e inclui variabilidade ao nível local (alfa diversidade), complementaridade biológica entre habitats (beta diversidade) e variabilidade entre paisagens (gama diversidade). Biodiversidade inclui, assim, a totalidade dos recursos vivos, ou biológicos, e dos recursos genéticos, e seus componentes.
A Biodiversidade é uma das propriedades fundamentais da natureza, responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas, e fonte de imenso potencial de uso econômico. A Biodiversidade é a base das atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais e, também, a base para a estratégica indústria da biotecnologia. As funções ecológicas desempenhadas pela Biodiversidade são ainda pouco compreendidas, muito embora considere-se que ela seja responsável pelos processos naturais e produtos fornecidos pelos ecossistemas e espécies que sustentam outras formas de vida e modificam a biosfera, tornando-a apropriada e segura para a vida. A diversidade biológica possui, além de seu valor intrínseco, valores ecológico, genético, social, econômico, científico, educacional, cultural, recreativo e estético.

Um elemento que ganha crescente destaque dentro da questão ambiental é a biodiversidade, ou diversidade biológica (de espécies animais e vegetais, de fungos e microrganismos). Preservar a biodiversidade é condição básica para manter um meio ambiente sadio no planeta: todos os seres vivos são interdependentes, participam de cadeias alimentares ou reprodutivas, e sabidamente os ecossistemas mais complexos, com maior diversidade de espécies, são aqueles mais duráveis e com maior capacidade de adaptação às mudanças ambientais. Além disso, a biodiversidade é fundamental para a biotecnologia que, como já vimos, é uma das indústrias mais promissoras na Terceira Revolução Industrial que se desenvolve atualmente.
A humanidade já catalogou e definiu quase 1,5 bilhão de organismos, mas isso é muito pouco: calcula-se que o número total deles na Terra chegue a no mínimo 10 bilhões e talvez até a 100 bilhões! E a cada ano milhares de espécies são exterminadas para sempre, numa proporção que pode atingir 30% das espécies totais dentro de três décadas, se o atual ritmo de queimada e desmatamentos nas florestas tropicais ( as mais ricas em biodiversidade), de poluição nas águas, etc. continuar acelerado. Isso é catastrófico, pois essas espécies foram o resultado de milhões de anos de evolução no planeta, e com essa perda a biosfera vai ficando mais empobrecida em diversidade biológica, o que e perigoso para o sistema de vida como um todo.
Não podemos esquecer a importância econômica e até medicinal de cada espécie. Por exemplo: as flores que cultivamos em jardins e os frutos e hortaliças que comemos são todos derivados de espécies selvagens. O processo de criar novas variedades, com cruzamentos ou com manipulação genética, produz plantas híbridas mais frágeis que as nativas, mais suscetíveis a doenças ou ao ataque de predadores, que necessitam portanto de mais proteção para sobreviverem e, de tempos em tempos, precisam de um novo material genético para serem corrigidas e continuarem produzindo colheitas. Por isso, precisamos ter a maior diversidade possível, principalmente das plantas selvagens ou nativas, pois são elas que irão fornecer esse novo material genético.
Os organismos constituem a fonte original dos princípios ativos* dos remédios, mesmo que estes posteriormente sejam produzidos artificialmente em laboratórios. Os antibióticos, por exemplo, foram descobertos a partir do bolor ( fungos que vivem em matéria orgânica por eles decomposta); e a aspirina veio originalmente do chá de uma casca de árvore da Inglaterra. É por isso que há tanto interesse atualmente em pesquisas de florestas tropicais ou dos oceanos, em mapeamento genético de organismos. A grande esperança de um novo tipo de desenvolvimento, menos poluidor que o atual, está principalmente na biotecnologia: produzir fontes de energia ou plásticas a partir de bactérias, alimentos em massa a partir de algas marinhas, remédios eficazes contra doenças que matam milhões a cada ano originados de novos princípios ativos de microrganismos ou plantas, etc.
A biodiversidade, assim, é também uma fonte potencial de imensas riquezas e o grande problema que se coloca é saber quem vai lucrar com isso: se os países ricos, que detêm a tecnologia essencial para descobrir novos princípios ativos e fabricá-los , ou se os países detentores das grandes reservas de biodiversidade, das florestas tropicais em especial. O mais provável é um acordo para compartilhar por igual as descobertas e os lucros, mas ainda estamos longe disso. Os países desenvolvidos, como sempre, têm um trunfo na mão, a tecnologia; mas alguns países subdesenvolvidos, os que têm grandes reservas de biodiversidade, têm agora outro trunfo, uma nova forma de matéria-prima que não está em processo de desvalorização, como as demais (os minérios e os produtos agrícolas).

Brasil: o País da Megadiversidade


O Brasil é o país com maior Biodiversidade (é o maior dos "países de Megadiversidade"), contando com um número estimado entre 10 e 20% do número total de espécies do planeta. O Brasil conta com a mais diversa flora do mundo, com mais de 55.000 espécies descritas (22% do total mundial). O país possui, por exemplo, a maior riqueza de espécies de palmeiras (390 espécies) e de orquídeas (2300 espécies). Diversas espécies de plantas de importância econômica mundial são originárias do Brasil, destacando-se dentre elas o abacaxi, o amendoim, a castanha do Pará, a mandioca, o caju e a carnaúba.
Os animais vertebrados são amplamente representados na fauna brasileira. Foram registradas no país 394 espécies de mamíferos, 1.573 espécies de aves, 468 espécies de répteis, 502 espécies de anfíbios e mais de 3000 espécies de peixes. Esta riqueza de espécies corresponde a pelo menos 10% dos anfíbios e mamíferos, e 17% das aves de todo o planeta. O Brasil conta ainda com a maior diversidade de primatas do planeta, com 55 espécies, sendo 19 endêmicas. Como evidência da riqueza da fauna brasileira e de seu desconhecimento, cinco novas espécies de macacos foram descritas no país.
O tamanho total da Biodiversidade brasileira não é conhecido e talvez nunca venha a ser conhecido precisamente tal a sua complexidade. Estima-se, entretanto, que existam mais de dois milhões de espécies distintas de plantas, animais e microrganismos no território sob a jurisdição brasileira, uma diversidade genética inestimável e uma imensa diversidade ecológica dadas as dimensões continentais do país e de sua plataforma marinha.

Biodiversidade da Amazônia

A riqueza da biodiversidade na Amazônia é famosa, apesar de ter poucas informações concretas sobre a mesma. Os pressupostos desta riqueza são, no entanto, válidos tendo em vista o processo evolutivo das plantas e animais amazônicos. As árvores dominam a paisagem e a estrutura física da floresta, mas não são os organismos com a maior contribuição à biodiversidade da região. A biodiversidade não representa apenas os extremos exóticos da diversificação evolucionária e da variedade excepcional de espécies aproveitadas pelo ser humano.

A biodiversidade da Amazônia é a variação genética que ocorre na natureza deste bioma e pode ser observada em três diferentes níveis: genes, espécies e ecossistemas. A diversidade genética é a montagem da informação genética existente na espécie que constitui a flora, fauna e a microbiota. A diversidade de espécies é o número de tais espécies usualmente relacionadas aos diferentes graus de adaptabilidade que os organismos apresentam em relação aos diferentes habitats ou ecossistemas existentes. A diversidade de ecossistemas não leva em conta apenas o número e a freqüência, mas também a variedade dos habitats, comunidades bióticas e os processos ecológicos. Além da alta biodiversidade e da alta diferenciação de habitats, há também a complexidade das interações entre espécies e habitats.

A existência de um ecossistema depende da interação entre as plantas e animais que polinizam as flores e propagam as sementes. Muitas destas interações são extremamente específicas e a perda de apenas uma espécie, que é um agente de polinização ou uma condição obrigatória para a reprodução, pode afetar muitas outras espécies, indiretamente. Esta complexidade tem implicações para o desenvolvimento da região amazônica.

Em termos de diversidade animal, o Brasil apresenta as seguintes estimativas:

·        428 espécies de mamíferos, sendo, portanto, o terceiro no mundo, perdendo para o Peru e Equador;

·        1.622 espécies de pássaros, perdendo apenas para o Peru e Colômbia;

·        516 espécies de anfíbios, estando em primeiro lugar;

·        467 espécies de répteis, quarto lugar no mundo;

·        1.300 espécies de peixes (podendo chegar a 3.000), em contraste, a Europa tem apenas 300 espécies.

Os invertebrados são os principais agentes na avaliação quantitativa da biodiversidade da Amazônia. Estudos sobre insetos do dossel da floresta, conduzidos em Manaus, Peru e Panamá, indicam que nestas regiões foram encontrados o triplo de insetos existentes em outras regiões do planeta. O Brasil sozinho fornece habitats para 74 espécies de borboletas. Os artrópodes são estimados em 2.500.000 espécies.

 A Importância da Biodiversidade para o Brasil

O setor da Agroindústria responde por cerca de 40% do PIB brasileiro, o setor florestal responde por 4% do PIB e o setor pesqueiro responde por 1% do PIB. Produtos da Biodiversidade respondem por 31% das exportações brasileiras, especialmente através do café, soja e laranja. As atividades de extrativismo florestal e pesqueiro empregam mais de três milhões de pessoas. A biomassa vegetal, através do álcool da cana-de-açúcar e da lenha e carvão derivados de florestas nativas e plantadas respondem por 17% da matriz energética nacional e em determinadas regiões, como o Nordeste, atendem a mais da metade da demanda energética industrial e residencial. Grande parte da população brasileira utiliza-se de plantas medicinais na solução de problemas corriqueiros de saúde.

O potencial de utilização sustentável da Biodiversidade é fruto da disponibilidade de matéria prima, tecnologia e mercado. Exemplificando, um parente silvestre do trigo originário da Turquia proporcionou genes resistentes a doenças para as variedades comerciais de trigo resultando num ganho anual no valor de US$ 50 milhões, somente nos Estados Unidos. Uma variedade de cevada da Etiópia forneceu um gene que protege atualmente a cultura da cevada na Califórnia contra um vírus fatal, proporcionando economia de US$ 160 milhões. Nos Estados Unidos, 25% dos produtos farmacêuticos receitados atualmente contêm ingredientes ativos derivados de plantas e existem mais de 3000 antibióticos derivados de microrganismos. A exploração farmacológica da Biodiversidade brasileira está em seu início e, a julgar pelos resultados obtidos em outros países, acredita-se que exista um vasto campo para a produção de fármacos ainda desconhecidos.

Apesar dessa riqueza de espécies nativas, a maior parte de nossas atividades econômicas está baseada em espécies exóticas: nossa agricultura está baseada na cana-de-açúcar proveniente da Nova Guiné, no café da Etiópia, no arroz das Filipinas, na soja da China, no cacau do México, na laranja da China, trigo da Ásia Menor etc.; nossa silvicultura depende de eucaliptos da Austrália e de pinheiros da América Central; nossa pecuária depende de capins Africanos, bovinos da Índia, eqüinos da Ásia Central etc.; nossa piscicultura depende de carpas da China e tilápias da África Oriental; nossa apicultura está baseada em variedades da abelha-europa provenientes da Europa e da África Tropical, e assim por diante. É fundamental que o país continue a ter acesso aos recursos genéticos exóticos essenciais para o melhoramento da agricultura, pecuária, silvicultura e piscicultura nacional.

O Problema da Perda da Biodiversidade


Tanto a comunidade científica internacional quanto governos e entidades não-governamentais ambientalistas vêm alertando para a perda da diversidade biológica em todo o mundo, e, particularmente nas regiões tropicais. A degradação biótica que está afetando o planeta encontra raízes na condição humana contemporânea, agravada pelo crescimento explosivo da população humana e pela distribuição desigual da riqueza. A perda da diversidade biológica envolve aspectos sociais, econômicos, culturais e científicos.
Os principais processos responsáveis pela perda da Biodiversidade são:

Perda e fragmentação dos habitats;

Introdução de espécies e doenças exóticas;

Exploração excessiva de espécies de plantas e animais;

Uso de híbridos e monoculturas na agroindústria e nos programas de reflorestamento;

Contaminação do solo, água, e atmosfera por poluentes e

Mudanças climáticas. As inter-relações das causas de perda de Biodiversidade com a mudança do clima e o funcionamento dos ecossistemas apenas agora começam a ser vislumbradas.

Três razões principais justificam a preocupação com a conservação da diversidade biológica: Primeiro porque se acredita que a diversidade biológica seja uma das propriedades fundamentais da natureza, responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas; Segundo porque se acredita que a diversidade biológica representa um imenso potencial de uso econômico, em especial através da biotecnologia; Terceiro porque se acredita que a diversidade biológica esteja se deteriorando, inclusive com aumento da taxa de extinção de espécies, devido ao impacto das atividades antrópicas.
O Princípio da Precaução, aprovado na Declaração do Rio durante a UNCED (Rio-92), estabelece que devemos agir já e de forma preventiva ao invés de continuarmos acomodados aguardando a confirmação das previsões para então tomarmos medidas corretivas, em geral caras e ineficazes.

EXTINÇÃO DE ESPÉCIES

Assim como a introdução de novas espécies, a extinção também pode causar sérios distúrbios ao equilíbrio de um ecossistema. Embora o fenômeno da extinção de espécies seja comum na natureza, a extinção recente de um grande número de espécies é conseqüência da atividade humana.
A destruição de seus habitats e a caça e a pesca excessivas, denominadas caça e pesca predatórias, têm levado inúmeras espécies à extinção. O tamanho mínimo que uma população tem de atingir para não se extinguir varia de espécie para espécie. Ele depende da sua capacidade reprodutiva, da sua vulnerabilidade às influências do meio e da duração de seu ciclo vital, entre outras coisas. Das espécies que o homem caça atualmente, muitas estão ameaçadas de extinção, uma vez que suas populações já estão atingindo o limite de tamanho mínimo necessário para sua manutenção. Outras, mesmo que a caça para imediatamente, já não terão capacidade de se recuperar e, fatalmente, se extinguirão.

O homem e a diversidade biológica

A diversidade biológica está presente em todo lugar, no meio dos desertos, nas tundras congeladas ou nas fontes de água sulfurosas. A diversidade genética possibilitou a adaptação da vida nos mais diversos pontos da Terra. As plantas, por exemplo, estão na base dos ecossistemas. Como elas florescem com mais intensidade nas áreas úmidas e quentes, a maior diversidade é detectada nos trópicos, como é o caso da Amazônia e sua excepcional vegetação. Dois terços da vasta bacia amazônica estão no Brasil, que também abriga o maior sistema fluvial do planeta.



 

Percentual estimado das espécies mundiais nas florestas tropicais

Entre os cientistas, o Brasil é considerado o país da "megadiversidade". Aproximadamente 20% das espécies conhecidas no mundo estão aqui. É bastante conhecido, por exemplo, o potencial terapêutico das plantas encontradas na Amazônia. Além do uso medicinal de algumas plantas, elas também são importantes na alimentação humana.

A despeito da diversidade biológica disponível, mais de 50% da base alimentar do homem concentra-se somente no trigo, no arroz e no milho. As plantações que formam essa limitada fonte de alimentos são, geralmente, monoculturas e, por isso, suscetíveis a pestes. Na década de 70 uma praga atacou os campos de arroz asiáticos, ameaçando milhões de pessoas com a fome. Tempos depois os cientistas descobriram que cruzando uma espécie não cultivada os agricultores chegariam a um arroz resistente à doença. Este fato mostrou que à medida que um número crescente de espécies forem extintas, será mais difícil proteger as culturas existentes das pragas.

 

 
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