
Superfície da
Célula
I
- INTRODUÇÃO:
O estudo da superfície celular justifica-se plenamente quando tomamos
conta do impressionante dinamismo que está associado às membranas biológicas
e dos efeitos nocivos para as células e para o organismo, de
alterações ocorridas nos componentes básicos dessas estruturas
celulares.
Através do adequado conhecimento da composição e fisiologia da
membrana poderemos compreender desde como as células se relacionam com
o meio, como elas se comunicam, se diferenciam até como células
doentes são originadas e recuperadas. Nesses tempos nos quais usamos
medicamentos inteligentes e outras terapias moleculares de alta
especificidade é muito importante elucidarmos os componentes aos quais
parasitas e drogas se ligam antes de invadiram as nossas células.
II –
PROPRIEDADES FUNDAMENTAIS DA MEMBRANA CELULAR:
Para
garantia de autonomia, de certa independência do meio e manutenção de
uma composição interna favorável aos processos vitais, a membrana
celular apresenta duas magníficas propriedades:
Ø
SEMIPERMEABILIDADE;
Ø
SELETIVIDADE.
As
duas possibilitam uma composição do meio intracelular distinta do meio
externo. É por isso que algumas substancias não são vista dentro da célula,
apesar da sua abundância no meio e também algumas outras não
conseguem sair do citoplasma e outras ainda, ocorrem em concentrações
variáveis em ambos os meios.
III –
COMPONENTES PRINCIPAIS DA SUPERFÍCIE CELULAR:
Embora
exista uma grande variedade de moléculas formadoras das membranas biológicas,
podemos visualizar uma similaridade no arranjo desses componentes num
modelo estrutural denominado MOSAICO FLUIDO. Essas moléculas
pertencem ao grupo das PROTEÍNAS, LIPÍDIOS e GLICÍDIOS em
maiores proporções. Resumidamente podemos atribuir a essas categorias
de moléculas as seguintes funções primárias:
Ø
PROTEÍNAS – sustentação,
transportes ativos pela membrana, movimentos celulares e ação enzimática
e de recepção de sinais químicos ambientais;
Ø
LIPÍDEOS –
fluidez; facilitar os transportes passivos;
Ø
GLICÍDEOS –
associados ás proteínas e lipídios exercem papel protetor e de
reconhecimento de substâncias que tocam a célula.
Ø
COLESTEROL –
presente nas células animais esse composto confere maior grau de
rigidez à membrana.
IV – O MODELO
DO MOSAICO FLUIDO:
A dupla
camada de lipídios com 5nm de espessura contendo blocos protéicos
mergulhados parcial ou totalmente e com mobilidade ao longo do plano da
membrana, essa é a idéia da arquitetura da membrana ligada ao modelo
do MOSAICO FLUIDO. Esse modelo que foi desenhado por
observações indiretas, explica de modo satisfatório o comportamento
elétrico e os transportes ativos e passivos das substâncias que
atravessam as células. È aplicável ao movimento de gases, sólidos e
líquidos hidro e lipossolúveis.
Podemos
dizer que os lipídios favorecem o transporte passivo e as proteínas
realizam a maioria dos transportes ativos e também os facilitados.
Por serem
moléculas ANFIPÁTICAS os FOSFOLIPÍDIOS
dispõem-se espontaneamente em bicamadas permitindo a
passagem tanto da água como a de solventes orgânicos. A fluidez
promovida por esses lipídios, permitem movimentos dos mesmos tanto ao
longo de uma monocamada (mais freqüente), como de uma monocamada para
outra – flip-flop- mais
raramente. A fluidez pode ser modificada pela alteração na composição
lipídica de acordo com a variação da temperatura do meio. Os lipídios
da membrana são sintetizados no Retículo Endoplasmático Liso e
transportados para a superfície celular.
Podemos
afirmar que as proteínas são essencialmente a “impressão digital”
da membrana celular e as funções mais refinadas realizadas pela superfície
da célula são executadas por esses componentes. O teor de proteínas
na membrana varia desde 20% até 80% e o mais comum
é termos aproximadamente 50%. Embora o número absoluto de moléculas
de proteínas seja inferior ao de lipídios elas são maiores e mais
diversificadas. De acordo com o processo de diferenciação sofrido pela
célula e portanto, dos genes que estão ativados as proteínas
presentes nesta célula irão garantir forma e função específica à
superfície.
Existem
proteínas PERIFÉRICAS e INTEGRAIS.
Algumas proteínas associam-se a cadeias oligossacarídicas ganhando
assim, um papel informacional. O grau de penetração da proteína na
bicamada lipídica determinará se a sua ação será restrita a um lado
ou aos dois lados da membrana.
V
- TRANSPORTES ATRAVÉS DA MEMBRANA:
O movimento
de moléculas através da membrana garante a nutrição e excreção
celulares e permite a comunicação intercelular importante para o equilíbrio
geral do nosso organismo.
As moléculas
tendem a se movimentarem a favor do gradiente de concentração por meio
da DIFUSÃO que
é um processo físico que não acarreta em custo energético para a célula.
c
>
> > > > >
C difusão
simples - passivo
Porém, nem
sempre fatores como tamanho das moléculas, concentrações, carga elétrica
não favorecem esse movimento, induzindo a célula a realizar transporte
ativo.
GASES
LIQUIDOS
SÓLIDOS
!
!
!
!
Meio interno
DIFUSÃO
OSMOSE
DIFUSÃO
SIMPLES
SIMPLES
DIFUSÃO
FACILITADA
TRANSP. ATIVO
ENDOCITOSE
VI
– A COMUNICAÇÃO ENTRE AS CÉLULAS:
Várias
mudanças sofridas pelas membranas na suas estruturas permitem uma ação
mais especializada e eficaz. Ora garantindo maior aderência (desmossomos),
maior absorção (microvilosidades), maior movimento (cílios e
flagelos) e também permitindo interações com células vizinhas (junções
comunicantes) ou de tecidos distantes (receptores da membrana).
Existem algumas categorias básicas de comunicação
celular que variam de acordo com a velocidade de efetuação, a forma de
transmissão do sinal químico e a distância entre as células
envolvidas. São elas:
Ø
COMUNICAÇÃO POR CONTATO (JUNÇÕES COMUNICANTES);
Ø
COMUNICAÇÃO PARACRÍNA;
Ø
COMUNICAÇÃO NEUROTRANSMISSORA;
* COMUNICAÇÃO HORMONAL.